Green | A Economia Ambiental

Green | A Economia Ambiental

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Economia e meio ambiente estão ligados de forma indissociável. O desenvolvimento econômico é, por exemplo, uma das principais causas das alterações climáticas, mas também pode conter a chave para sua solução. Do mesmo modo, o estudo da economia está na vanguarda das investigações sobre aquecimento global, e são as ferramentas econômicas – como impostos e regulações – que deverão inventivas as pessoas a poluir menos no futuro.

A evolução econômica da humanidade tem andado junto com a exploração dos recursos naturais do planeta, particularmente desde a Revolução Industrial. Sem o uso de recursos como carvão e petróleo, é difícil imaginar como as economias ocidentais poderiam ter se desenvolvido tanto e criado tamanha riqueza e prosperidade nos últimos séculos.

Mas é claro que esse desenvolvimento teve seu preço. Um grande número de estudos mostra uma relação entre a queima de combustíveis fósseis e o aquecimento global. Alguns têm afirmado que as mudanças climáticas causadas pelo homem podem ser responsáveis até pelo aumento da instabilidade dos sistemas climáticos globais, contribuindo, por exemplo, para furacões mais fortes, como o Katrina, que arrasou Nova Orleans em 2005. Outros previram que se as temperaturas globais continuarem a aumentar, em décadas as calotas polares podem derreter, o que vai elevar o nível do mar no mundo todo e inundar cidades importantes como Nova York e Londres. Outros resultados temidos incluem o fim da Corrente do Golfo no Atlântico, o que, segundo alguns, poderia prejudicar seriamente o clima no norte da Europa e noutros lugares mais distantes.

O Dilema Ambiental

Essas eventualidades seriam desastrosas para a prosperidade futura do mundo, e por isso estamos diante de um dilema sério. Devemos reduzir o atual consumo de combustíveis fósseis para diminuir o impacto das mudanças climáticas sobre as gerações futuras, mesmo que isso signifique crescimento mais fraco e maior pobreza em um futuro imediato? Ou devemos continuar como estamos, presumindo que a geração de amanha, mais rica e cientificamente mais avançada, descobrirá um modo de combater ou mitigar as mudanças climáticas?

Segundo Sir Nicholas Stern, economista britânico e autor de um dos primeiros relatórios sobre esse dilema, eventualmente os custos associados às mudanças climáticas poderiam atingir cerca de 20% do Produto Interno Bruto do planeta – cerca de US$ 6 trilhões – em comparação com um custo de apenas 1% do PIB caso enfrentemos agora essa ameaça.

Por outro lado, a opção alternativa – esperar – não deve ser descartada de antemão. Ao longo da história, avanços tecnológicos têm ajudado a resolver problemas ambientais aparentemente insolúveis. Basta lembrar das previsões apocalípticas de Thomas Malthus e compará-las com o resultado final, bem mais feliz, para perceber que o mercado tende a desenvolver soluções para os problemas que enfrenta.

Na era vitoriana, por exemplo, um dos maiores receios da população de Londres era que, com o aumento da cidade e, consequentemente, do número de cavalos nas ruas, a capital inglesa acabaria soterrada por montes de esterco de cavalo. É claro que esse receio nunca se concretizou, graças ao surgimento do carro a motor (que, é claro, tem seus próprios problemas ambientais). De modo similar, há muitas evidências a sugerir que novas tecnologias – sejam automóveis com motor a hidrogênio, geradores de fusão nuclear ou instalações para captura de dióxido de carbono – vão ajudar a resolver a crise sem reduzir significativamente o crescimento econômico da geração atual.

A Maior Externalidade

As mudanças climáticas são um exemplo de falha do mercado. Nas palavras de Sir Nicholas Stern, é a maior falha do mercado que o mundo já viu. Num mercado que funciona corretamente, o preço de alguma coisa sobe quando sua oferta diminui ou a demanda por ela aumenta – é um elemento central da teoria da mão invisível proposta por Adam Smith. Se todos forem egoístas, os mercados vão produzir o que as pessoas querem e isso contribuirá para o bem maior.

Porém, como até pouco tempo não havia um preço estipulado sobre o ar puro ou a poluição, a economia não prestou muita atenção neles. Ninguém “possui” o ambiente no sentido mais estrito, embora todos os humanos o façam, é claro. É isso que os economistas chamam de externalidade. O custo implícito efetivo da poluição é muito alto. Se a poluição causa mais furacões, mais desertificação e eleva o nível dos mares, causando estragos em cidades e povoados, o preço será muito alto. Porém, só quando os cientistas perceberam que as mudanças climáticas têm o poder de causar esses fenômenos é que se começou a tentar descobrir seu verdadeiro custo. Em teoria, o preço do combate às mudanças climáticas deve ser o que as pessoas estão dispostas a pagar para garantir que elas e seus filhos terão ar limpo no futuro. Se estão dispostas a enfrentar o ar poluído e todas as suas consequências, não há externalidade.

O Desafio

Os cientistas dizem que para prevenir os efeitos catastróficos causados pelas mudanças climáticas, o mundo deve reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa (chamados assim porque fazem com que o calor fique preso na atmosfera da Terra, como em uma estufa) até 2050. Pediram que se tomassem mediadas para combater o desmatamento, responsável por um aumento de 15 a 20% na emissão desses gases.

“As evidências sobre a gravidade dos riscos da inação ou da demora em agir são avassaladoras. Corremos o risco de sofrer danos em uma escala maior que a das duas guerras mundiais do século passado. O problema é global e a resposta precisa ser a colaboração em uma escala global.” – Sir Nicholas Stern

É muito difícil alcançar tais metas porque nem todos aceitam que isso seja necessário. Durante alguns anos, os EUA e diversos outros países, inclusive a Austrália e a China, abstiveram-se várias vezes de se comprometer com as promessas de redução de emissões por medo de prejudicar suas economias. A redução na emissão de gases-estufa costuma andar junto com um crescimento menor.

Alem disso, nações em desenvolvimento, como China, Brasil e Índia, têm alegado, com certa justificativa, que não devem ser penalizados com a responsabilidade de reduzirem significativamente suas emissões. Como a mudança climática é principalmente fruto da poluição gerada pelo mundo ocidental e não por essas economias mais jovens, por que estas deveriam pagar por danos causados pelos outros? Infelizmente, essas economias mais recentes é que deverão produzir a grande maioria da poluição adicional dos próximos anos. De forma similar, os países mais pobres – especialmente aqueles situados nos trópicos – serão os mais afetados pelas mudanças climáticas.

Além disso, devemos reconhecer que embora a maioria dos cientistas sugira que o aquecimento global é não só real como produzido pelo homem, alguns ainda estão céticos quanto às evidências. No entanto, a visão dominante é que o custo da inação (o possível desastre climático de amanhã) é bem maior do que o custo de se agir agora (limitando as emissões e o crescimento econômico). O combate às mudanças climáticas deve ser visto como uma apólice de seguro para as próximas gerações.

Como os Países Podem Reduzir Suas Emissões

1. Impostos Verdes Oneram atividades que poluem a atmosfera, inclusive impostos sobre combustíveis, sobre companhias elétricas pela emissão de carbono, e sobre o descarte de materiais perigosos.

2. Mercado de Carbono É o método preferido pelos economistas, e implica que os governos devem fazer leilões que autorizam as companhias a emitir certa quantidade de carbono. Isso precifica as emissões de CO2. Qualquer empresa que precise poluir mais pode comprar uma licença de outra que precise poluir menos, e a quantidade total de emissões fica sob controle. O problema com tal plano é que o comércio de carbono ainda está na infância, e até pouco tempo atrás era visto com suspeitas pela maioria das nações que não estão na União Europeia.

3. Tecnologia Diversas tecnologias verdes, que vão desde energia solar, até carros elétricos, podem reduzir as emissões. O obstáculo é que, até pouco tempo, essas tecnologias têm sido mais caras do que outras que simplesmente queimam carvão ou petróleo. Todavia, com mais investimentos, é provável que se tornem mais acessíveis.

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