Economia do Desenvolvimento

Economia do Desenvolvimento

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A queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo no antigo bloco soviético foram, sem dúvida, dois dos mais importantes catalisadores do crescimento econômico em todo o mundo. Ficou claro que a economia da antiga União Soviética tinha reprimido o crescimento, empobrecido milhões e deixado muitos russos passando fome e desamparados. Com a adoção do livre mercado pelos antigos Estados Comunistas, suas economias decolaram rapidamente, e, apesar de alguns terem ficado para trás, milhões ficaram bem mais ricos.

Mas essa história feliz tem um lado B. Um dos subprodutos da Guerra Fria foi que os dois lados não tiveram escolha senão tratar as nações mais pobres do mundo (o Terceiro Mundo, dos países em desenvolvimento) com bondade. Lançaram riquezas sobre elas com medo de perder seu apoio. Isso que dizer que, muitas vezes, a Rússia ou o Ocidente ajudaram a apoiar ditadores corruptos, como o presidente Mobutu no Zaire ou Augusto Pinochet no Chile, e a concorrência pelo apoio garantiu o fluxo de dinheiro para esses países.

Um Novo Mundo

Subitamente, esse fluxo secou com a queda da Cortina de Ferro. Muitos países que antes se beneficiavam com a ajuda externa para sustentar suas economias) apesar de boa parte dessa ajuda ser desviada para contas de seus ditadores em bancos suíços) mergulharam ainda mais na pobreza. Mas isso não aconteceu em toda parte. Com efeito, a libertação dos severos controles econômicos do comunismo ou do socialismo ajudou a China e boa parte do Leste Asiático a ter um rápido crescimento econômico, tirando milhões da pobreza. O mapa do mundo mudou.

“Antes [do fim da Guerra Fria], havia o desafio da Rússia, e por isso era melhor tratar razoavelmente bem os países em desenvolvimento que, do contrário, poderiam ir para o outro lado – assim, havia concorrência”. – Joseph Stiglitz

A economia global não é mais formada por um quinto de ricos e quatro quintos de pobres. O novo mundo é composto por um quinto de economias ricas, três quintos de emergentes, que estão se industrializando e avançando com rapidez, e um quinto de pobres. A economia do desenvolvimento preocupa-se principalmente com a situação deste último quinto, ou, nas palavras de Paul Collier (um dos maiores especialistas mundiais no assunto), o “bilhão de baixo”.

O que Torna um País Rico?

Há muitas teorias sobre a razão para que alguns países consigam superar a pobreza com tanta facilidade, enquanto outros permanecem presos à miséria. Algumas se concentram no clima e na topografia do país, fatores que podem dificultar as colheitas e o desenvolvimento agrícola; outras, em hábitos culturais, como a maneira de lidar com a propriedade; e outras focalizam o sucesso ou o fracasso de instituições políticas e sociais. Para alguns, a riqueza ou pobreza de um país é um acidente da história; para outros, uma questão de destino. Também foram sugeridos alguns fatores um pouco menos óbvios. Jared Diamond, biólogo e antropólogo, acredita que a resistência a certas doenças é uma precondição essencial para o desenvolvimento, enquanto o economista Gregory Clark diz que a disseminação da cultura ou dos genes da classe média trabalhadora pela sociedade são fatores-chave.

Seja como for, o fato é que na Idade Média havia muito pouca diferença significativa em termos de riqueza entre os países que hoje chamamos de desenvolvidos e em desenvolvimento. Entre essa época e os dias atuais, abriu-se um grande abismo, e no coração desse abismo encontra-se a África. Em termos econômicos, o continente ainda está preso à época medieval. A maior parte da África subsaariana é dominada pela agricultura de subsistência, e em vários lugares os índices de mortalidade são piores que os da Europa pré-Reforma. Nos últimos anos, isso foi agravado pela disseminação da Aids pelo continente, e com isso a expectativa média de vida nos seis países mais pobres é de apenas 50 anos, com uma criança em cada sete morrendo antes de completar cinco anos.

As Armadilhas da Pobreza

Segundo Collier, os países pobres podem cair em quatro armadilhas, das quais é imensamente difícil escapar:

1. Guerra Civil Aflige quase três quartos das pessoas que vivem no bilhão de baixo. Entre os exemplos temos a Angola, onde meio milhão de pessoas perderam a vida, e a República Democrática do Congo, mergulhada de forma mais ou menos permanente em guerra civil desde 1997.
2. A Armadilha dos Recursos Naturais Um país que descobre grandes reservas de recursos naturais – como petróleo, ouro ou diamantes – dentro de suas fronteiras também fica vulnerável, pois líderes corruptos têm ainda mais oportunidades para se apegar ao poder e impedir que o dinheiro chegue até os pobres.
3. A Armadilha do Entorno Países sem acesso ao mar podem se ver vulneráveis aos caprichos de seus vizinhos, o que estrangula o comércio e com isso suas economias.
4. Mau Governo Em termos simples, isso significa má liderança e corrupção por parte de quem foi eleito ou simplesmente forçou o caminho até o poder.

O que Deve Ser Feito?

Desde a Guerra Fria, surgiu um imenso aparato de instituições dedicadas a tirar da pobreza o mundo em desenvolvimento. Entre elas, há desde ministérios do desenvolvimento em países ricos, instituições multilaterais como o Banco Mundial e as Nações Unidas e organizações não governamentais (ONGs) como a Oxfam.

A forma de tratar o problema mudou ao longo do tempo. No passado, normalmente países e indivíduos ricos faziam doações diretas aos países afligidos, mas volta e meia os ditadores desviavam esse dinheiro para seus próprios fundos em vez de gastá-lo em saúde e educação. Hoje em dia, as organizações de ajuda gastam o dinheiro diretamente “no campo” ou tentam impor certas condições às doações, estipulando que devem ser usadas em projetos específicos, como o fornecimento de redes contra mosquitos e livros escolares, até a construção de escolas, estradas e pontes.

Entretanto, o problema que a comunidade de desenvolvimento enfrenta – e que foi exposto por William Easterly, economista norte-americano – é que esses donativos não conseguem equipar as nações para passarem da pobreza à industrialização. A China recebeu ajuda durante muitos anos, mas esse auxílio teve pouca ou nenhuma relação com seu crescimento fenomenal a partir da década de 1990.

Uma solução para a pobreza na África é permitir que seus países comercializem com as nações ricas sem terem de pagar tarifas alfandegárias sobre suas exportações. Outra é permitir que levantem barreiras temporárias sobre importações para que suas indústrias manufatureiras não sejam prejudicadas pelos concorrentes da China e de outros países.

Ironicamente, parte da resposta à crise de desenvolvimento pode estar na própria China: tendo enriquecido com tamanho sucesso nos primeiros anos do novo milênio, os donativos da economia gigante da Ásia aso Estados Africanos têm aumentado rapidamente. Resta ver se ela condiciona as doações de maneira a ajudar de fato as nações com maiores dificuldades a escapar da armadilha da pobreza.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Os objetivos de desenvolvimento do milênio (ODM) são um conjunto de oito objetivos que visam melhorar a situação de vida nas nações em desenvolvimento. Foram estabelecidos pelas Nações Unidas em 2001, e a intenção era atingi-los até 2015. No entanto, o trabalho em conjunto ainda não atingiu milhões de pessoas – é preciso esforçar um pouco mais para acabar com a fome, alcançar a plena igualdade de gênero, a melhoria dos serviços de saúde e ter todas as crianças na escola. Agora, o objetivo é mudar o mundo para um caminho sustentável.

Os 8 Objetivos São:

1. Erradicar a pobreza extrema e a fome

2. Atingir o ensino básico universal

3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

4. Reduzir a mortalidade infantil

5. Melhorar a saúde materna

6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças

7. Garantir a sustentabilidade ambiental

8. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

Dos ODM ao ODS

O relatório final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (realizada em 2012 na conferência Rio +20) dispõe que o desenvolvimento de objetivos e metas, tal como foi aplicado em relação aos ODM, seria útil na busca do desenvolvimento sustentável, por meio de ações focadas e coerentes.

Decidiu-se estabelecer um processo intergovernamental inclusivo e transparente que fosse aberto a todos, com vistas a elaborar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

ODS

Assim, após mais de três anos de discussão, os líderes de governo e de estado aprovaram, em 25 de setembro de 2015, o documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Ela busca fortalecer a paz universal com mais liberdade e reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global ao desenvolvimento sustentável. O documento consiste em uma declaração com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e de parcerias globais e um arcabouço para acompanhamento e revisão.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o órgão da ONU responsável em promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza nos países onde está presente, muito conhecido por elaborar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem como por ser o organismo internacional que coordena o trabalho das demais agências, fundos e programas das Nações Unidas – conjuntamente conhecidas como Sistema ONU. O PNUD Brasil colabora com os seus parceiros no planejamento, implementação, monitoramento e avaliação dos projetos de cooperação técnica contidos no seu portfólio e também oferece serviços de suporte ao desenvolvimento das atividades planejadas.

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