A Economia do Sexo

A Economia do Sexo

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Você já se perguntou porque os relacionamentos românticos estão cada vez mais difíceis de encontrar ou porque as pessoas estão se casando cada vez mais tarde?

As estatísticas mostram que as taxas de casamento estão historicamente baixas, tanto nos Estados Unidos quanto na maioria dos países ocidentais. No entanto, a indústria de namoros online têm registrado recordes históricos de crescimento, com uma receita anual acima de 1 bilhão de dólares.

Troca

Vamos pensar em sexo como uma troca, onde cada pessoa dá a outra algo de si mesma. Pode parecer que ambas estão dando a mesma coisa (acesso íntimo ao corpo um do outro), mas há muito mais acontecendo aqui do que se aparenta. Homens e mulheres desfrutam do sexo de formas diferentes. Na média, os homens têm maior impulso sexual e maior iniciativa para o sexo do que as mulheres e, portanto, são sexualmente mais permissivos, pois conectam sexo e namoro com muito menos frequência que as mulheres. As mulheres, por outro lado, são susceptíveis de ter relações sexuais por outras razões além do simples prazer. As motivações das mulheres para o sexo incluem expressar e receber amor, fortalecer o compromisso, afirmar a conveniência e a segurança no relacionamento.

Assim, em uma relação de troca, onde os homens querem sexo com mais frequência que as mulheres, quem decide quando isto vai acontecer? Elas o fazem, é claro. O sexo é o seu recurso. Sexo em relacionamentos consensuais vão acontecer mais ou menos quando as mulheres querem que aconteçam. Então, quando é que as mulheres decidem começar um relacionamento sexual? Preços. As mulheres têm algo de valor que os homens querem, algo que estão dispostos a sacrificarem-se para ter. Então, quanto custaria o sexo para os homens? Podem custar-lhes nada mais do que algumas bebidas e elogios, ou um mês de datas e atenção respeitosa, ou ainda, um longo caminho até uma promessa de vida para compartilhar todas as afeições, riquezas e lucros com ela, exclusivamente. O “preço” varia muito.

Mas, se as mulheres é que decidem, porque não “cobrar mais” por assim dizer? Elas não podem porque a formação de preços não depende apenas da mulher. O valor de mercado do sexo é parte de um sistema social de troca, uma “economia”, onde homens e mulheres aprendem uns com os outros – e de outros – o que deveriam esperar um do outro sexualmente. Assim, o sexo não é um assunto inteiramente privado e consentido entre duas pessoas. Pense na Lei da Oferta e da Demanda, quando a oferta é alta, os preços simplesmente caem e as pessoas não vão pagar mais por algo que é fácil de encontrar, mas se é difícil de encontrar então elas pagam o prêmio e o mesmo ocorre com o sexo. E os homens sabem que sexo é barato hoje em dia …se eles sabem onde procurar. Então, como o valor do sexo teve tão drástico declínio no mercado?

Os economistas falam, muitas vezes, em “choques tecnológicos” que alteraram drasticamente os mercados. Olhe para os pesticidas por exemplo, eles revolucionaram a agricultura, permitindo uma produção em escala de níveis sem precedentes na história da humanidade. Os gramados tornaram-se mais verdes, a produção tornou-se melhor e amplamente disponível com uma variedade maravilhosa. Nós comemos como reis agora e o mercado mudou para sempre. Aqui está outro exemplo: A contracepção hormonal artificial, ou pílula anticoncepcional. Ela permitiu aos casais terem mais relações sexuais (evitando a gravidez) e foi um choque tecnológico que alterou permanentemente o mercado de “acoplamento” por profunda redução no custo do sexo. O preço não mudou do dia pra noite, mas seus efeitos foram revolucionários.

Antes da contracepção, o sexo antes do casamento era menos importante que encontrar um parceiro para se casar. Agora, sexo não significa, necessariamente, um casamento (mas o compromisso sério ainda é um requisito comum das mulheres). O sexo era orientado para o casamento (e não teria como não ser) e não havia sexo casual. Os casais não faziam sexo casual porque, mexer com sexo, mesmo que eventualmente, acabaria tornando-os pais.

Os Efeitos Colaterais

Lembra-se do exemplo dos pesticidas? Acontece que eles tinham efeitos imprevistos que estão causando estragos no meio ambiente e enfraquecendo os sistemas ecológicos naturais que dependemos. Os cientistas acreditam que, por causa dos pesticidas, a população das abelhas esteja caindo a um ritmo alarmante. Um terço dos alimentos que comemos depende das abelhas para polinização. E isso é apenas um exemplo. Atualmente, teme-se que o uso excessivo de pesticidas causem estragos permanentes no meio ambiente, como a eutrofização.

O mesmo ocorre com a pílula. O propósito original da pílula foi para evitar a gravidez, mas a observação revela um efeito colateral inesperado: A pílula lançou o mercado de acasalamento em completa desordem. Ter relações sexuais e pensar sobre casamento já se tornaram duas coisas completamente diferentes. Temos agora uma divisão no mercado de acasalamento: De um lado grande parte das pessoas tem interesse apenas em sexo e do outro a maioria busca o casamento. E como há mais homens em busca de sexo do que mulheres, e mais mulheres em busca de casamento do que homens temos um impasse.

A existência das agências de namoro online tem reforçado a realidade deste mercado dividido. Os homens são mais aptos a escrever em seus perfis que eles estão “a procura de diversão”, enquanto as mulheres tendem a sinalizar coisas muito diferentes, dizendo algo como “procuro um relacionamento sério” ou “não disponível para diversão”.

Um Novo Mercado

Muitas vezes ouvimos sobre a “falta de compromisso dos homens”, mas a realidade nua e crua é econômica: Mulheres superam os homens no mercado de casamento, o que significa que os homens podem ser mais exigentes e insistir numa vasta experiência sexual antes do altar. Eles estão em posição para maximizar suas recompensas ao investir menos tempo e menos recursos no casamento. No passado isto não acontecia pois havia um pacto implícito que definia um alto valor para o sexo, porém, com o surgimento da pílula e dos encontros online, este pacto desapareceu.

Mas, em um admirável mundo novo onde ter relações sexuais não significa ter mais bebês, onde o casamento tornou-se opcional, as mulheres se tornariam mais solidárias umas com as outras e migrariam todas para o mercado de casamento, se ajudando mutuamente. Porém isso não aconteceu, muito pelo contrário, agora as mulheres entraram em concorrência umas com as outras. E, quando as mulheres competem pelos homens, elas tendem a fazer isto apelando para o que os homens querem.

É aqui que as mulheres estão erradas sobre os homens: Os homens não estão realmente com medo do compromisso em tudo. Enquanto elas decidem quando se trata de sexo, eles podem navegar como querem e, ao contrário da fertilidade das mulheres, a virilidade dos homens não expira nem mesmo aos 60 anos. Então, qual a pressa? Não é nenhuma surpresa que a idade média dos primeiros casamentos nos Estados Unidos continue a aumentar e uma parcela significativa de jovens casados entre 25-34 anos de idade continue a diminuir.

Embora existam outros fatores que contribuem para cada uma dessas tendências, o desequilíbrio entre os sexos no mercado de acasalamento é um grande problema.

Os economistas dizem que um acordo entre as mulheres para trabalhar em conjunto seria a forma mais racional para elevar o “valor de mercado” do sexo. Este “conluio” entre as mulheres pode ser visto no filme de Radu Mihaileanu, “A Fonte das Mulheres“, onde a greve de amor torna-se o estopim para uma grande revolução cultural numa pequena aldeia do Oriente Médio.

Quando as mulheres agem em conjunto e conseguem elevar o valor de mercado do sexo, os esforços dos homens em cortejar tornam-se mais impressionantes, eles investem mais e os relacionamentos tornam-se mais longos, há menos parceiros antes do casamento e eles decidem se casar mais cedo. Porém, as mulheres precisam sinalizar claramente que querem e, se o que elas querem for diferente do que a maioria dos homens quer ..bem, este é o seu poder na economia. Mas nada disso parece estar ocorrendo, não agora pelo menos.

Atualmente, a economia das relações sexuais contemporâneas favorecem claramente os homens e o que eles querem, mesmo quando o que eles estão oferecendo em troca tenha diminuído. E é tudo graças à Lei da Oferta e da Demanda e… o longo alcance de uma pequena pílula notável.

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