Energia e Petróleo | Crescimento Econômico Diminuído

Energia e Petróleo | Crescimento Econômico Diminuído

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Para a economia mundial, todas as mercadorias são importantes. Sem aço ou concreto, a indústria da construção civil iria se paralisar, e as redes elétricas que fornecem nossa energia depende de fios de cobre. Contudo, nos últimos cem anos, nenhum produto tem sido tão importante – e, de vez em quando, tão problemático – quanto o petróleo bruto.

Nos últimos cinquenta anos, os preços do petróleo aumentaram acentuadamente em três ocasiões, elevando significativamente o custo de vida em todo o mundo desenvolvido. Os dois primeiros aumentos de preços se deram principalmente por motivos políticos, e o terceiro em virtude de forças econômicas, mas cada aumento do preço forçou os políticos a fazerem perguntas inquisitivas sobre o complexo relacionamento entre a humanidade e suas fontes de energia.

Esse relacionamento não é nem um pouco novo. Desde a pré-história, as pessoas têm se valido de recursos naturais para melhorar sua existência. Primeiro, queimando madeira e turfa para sobreviverem. Depois, na Revolução Industrial, o carvão foi queimado para mover as máquinas a vapor. No século XX, outros combustíveis fósseis – chamados assim por provirem dos restos fossilizados de plantas e animais mortos na crosta terrestre – à base de carbono, como petróleo e gás natural, tornaram-se as principais fontes de energia. O uso de produtos derivados de petróleo está tão arraigado na sociedade moderna que é fácil esquecer que não haveria carros e nem viagens aéreas sem eles, e a grande maioria das estações elétricas fecharia. Mas o petróleo não é usado apenas como fonte de energia; 16% de seu uso é empregado na fabricação de plásticos, juntamente com diversos produtos farmacêuticos, solventes, fertilizantes e pesticidas.

 

Uma Mercadoria Nada Comum

Tal qual outras mercadorias, como ouro ou milho, o petróleo (e o gás natural, ao qual está intimamente vinculado e que se comporta de maneira similar) é um ativo que pode ser comercializado no mercado de futuros, e seu preço desce e sobe com o aumento e a redução da oferta e da demanda. Todavia, mercadorias energéticas são diferentes por dois motivos principais:

Primeiro, a energia é tão importante para o funcionamento de um Estado que os políticos costumam considerar sua preservação como assunto de segurança nacional, e quando políticos se envolvem em alguma coisa as premissas habituais sobre oferta, demanda e preço deixam de se aplicar.

Segundo, só nos últimos anos é que os preços da energia começaram a refletir os custos no longo prazo da poluição para a sociedade. A queima de combustíveis fósseis emite um coquetel de gases que, segundo a maioria dos cientistas, estão diretamente ligados ao aquecimento global. Essas repercussões indiretas de uma atividade, pela qual as pessoas podem causar danos ou prejuízos dispendiosos a espectadores inocentes sem precisarem pagar ou responder por isso, são o que os economistas chamam de “externalidades”.

 

A Opep e as duas Primeiras Crises do Petróleo

Embora países desenvolvidos como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Noruega tenham vastas reservas de petróleo bruto, uma parcela bem maior do petróleo mundial se encontra no Oriente Médio e em outras áreas politicamente instáveis. A principal delas é a Arábia Saudita, que possui um quinto das reservas mundiais conhecidas. Na década de 1970, em resposta a diversos problemas políticos no Oriente Médio, produtores com grandes reservas se reuniram para formar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), idealizada como um cartel – ou seja, um grupo de vendedores que colaboram entre si para controlar os preços. Entre 1973 e 1975, reduziram boa parte de sua produção, e a redução da oferta duplicou o preço do petróleo.

Como resultado, a inflação nos EUA foi da ordem de dois algarismos e o crescimento econômico parou, deixando o país, bem como várias outras nações ocidentais, na estagflação. O desemprego nos EUA passou de 4,9% para 8,5% no mesmo período.

O mesmo tornou a acontecer no começo da década de 1980, com consequências ainda mais desesperadoras, pois dessa feita a Reserva Federal, sob a presidência de Paul Volcker, tentou combater o aumente da inflação com taxas de juros elevadas, elevando o nível de desemprego a mais de 10%. A crise acabou sendo resolvida mediante uma negociação política com os sauditas, ao mesmo tempo em que a Opep foi abalada pela realidade econômica: menos compradores de petróleo significou menos receita para a Opep, e com isso alguns dos membros do cartel começaram a produzir mais petróleo do que haviam combinado, na tentativa de aumentar suas receitas.

Uma Terceira Crise do Petróleo?

Entre os primeiros anos deste milênio e 2008, os preços do petróleo aumentaram sete vezes de valor. Em termos reais (noutras palavras, descontada a inflação), ultrapassaram o pico que haviam atingido na década de 1970. No entanto, enquanto as crises anteriores foram especificamente políticas, geradas por ações da Opep, esta teve caráter mais especulativo.

Investidores, como os gestores dos fundos de cobertura, compraram milhões de barris de petróleo na expectativa de que seu preço continuaria a subir mais e mais. Parte de sua lógica foi a de que a China e outros países que estavam se desenvolvendo rapidamente iriam precisar de quantidades significativas de petróleo nos anos vindouros; outra parte foi a de que o petróleo é um recurso finito e, portanto, pode se esgotar em algum momento do futuro. Na verdade, muitos acreditam que a produção de petróleo já ultrapassou seu apogeu, e que nos próximos anos não será possível produzir tanto petróleo quanto antes. Se essa teoria estiver correta, os países terão de encontrar novas fontes de energia ou aceitar um declínio inevitável em seu nível de vida.

O fato de haver terroristas visando cada vez mais poços e refinarias de petróleo no Oriente Médio, na Nigéria e em outras partes do mundo após a invasão do Iraque e a queda de Saddam Hussein, em 2003, deu a possíveis compradores outra razão para se preocuparem com a oferta. Enquanto isso, do outro lado da equação oferta/demanda, a rápida ascensão da China e de outras nações em desenvolvimento acelerado significou que a demanda por energia atingiu níveis inéditos. O efeito combinado foi elevar o preço do petróleo a pouco menos de US$ 150,00 por barril no primeiro semestre de 2008.

Mais uma vez, os preços elevados do petróleo fizeram aumentar a inflação no mundo todo, mas a crise financeira da época provocou uma séria recessão, forçando rapidamente o preço do petróleo a ficar abaixo de US$ 40 e, atualmente, após um ano e meio de quedas devido a um excesso na oferta e tensões políticas entre a Arabia Saudita e Irã (dois dos maiores produtores da Opep), é provável que o preço do barril de petróleo continue a cair.

 

No Brasil,a Petrobrás detém o monopólio de produção e importação do produto e os preços são controlados pelo governo. Com a baixa nos preços do barril, a empresa deve aproveitar o momento para recompor a lucratividade perdida no período em que o óleo estava em alta no mercado mundial, além de compensar o caixa vítima de um vasto esquema de corrupção envolvendo políticos e empreiteiras.

 

Embora o mundo desenvolvido continue a consumir quantidades recordes de petróleo em termos de números de barris, a quantidade de petróleo necessária para gerar um dólar extra de crescimento econômico tem diminuído desde a década de 1970. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, o consumo de energia por dólar de Produto Interno Bruto declinou em uma média anual de 1,7% no último quarto de século.

Energia Alternativa

Os choques energéticos da década de 1970 levaram empresas e governos a procurar novas maneiras de melhorar a eficiência energética, reduzindo a dependência do petróleo. Fabricantes de veículos descobriram formas de fazer os motores renderem mais, percorrendo mais quilômetros com menos combustível – especialmente no Japão e na Europa, onde os altos impostos sobre combustíveis já tinham transformado a eficiência em uma meta atraente. Diversos países recorreram à energia nuclear – apesar de uma redução temporária em seu uso após o desastre de Chernobyl, em 1986. Também começaram a procurar outras fontes de energia que não dependem diretamente de combustíveis fósseis. A maioria dos países ocidentais, por exemplo, desenvolveu pequenos projetos de geração de energia solar, eólica, maremotriz ou geotérmica. Após a recente crise energética, a busca por tecnologias alternativas se intensificou, e os principais fabricantes de automóveis estão construindo veículos híbridos e totalmente elétricos que podem ser recarregados na rede elétrica.

Embora muitas dessas tecnologias ainda estejam em um estágio nascente, sua adoção mostra que mesmo em um mercado inelástico (ou seja, um mercado no qual os consumidores reduzem suas compras de maneira relativamente lenta como reação a aumento de preços), aos poucos mas firmemente os humanos se adaptam e mudam de comportamento quando o equilíbrio entre oferta e demanda se altera.

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