Formação Universitária | Um Sinal de Produtividade

Formação Universitária | Um Sinal de Produtividade

Tempo de Leitura: 5 Minutos

Um novo campo da economia desenvolveu-se nos anos 1970 quando o economista americano George Akerlof publicou suas descobertas sobre a superação das disparidades no acesso à informação.

O economista americano Michael Spence disse que, na prática, se o Sujeito 1 tem mais informação que o Sujeito 2 numa transação, é provável que o Sujeito 1 mande um sinal para que o Sujeito 2 possa tomar uma decisão mais abalizada.

O exemplo dado por Spence foi da entrevista de emprego, em que o empregador tem menos informação que o candidato de seu potencial produtivo. O candidato entrega um currículo com sua formação, que pode não ter relevância alguma para o cargo almejado, mas sinaliza a disposição para trabalhar duro e se esforçar. Segundo Spence, o ensino superior, ao contrário da formação profissional, tem sobretudo uma função sinalizadora, e os eventuais “bons” funcionários investem em maior formação para sinalizar seu potencial de produtividade mais alto. O contrário disso, por exemplo, o empregador usar a entrevista para obter informação, chama-se detecção. Quem quer comprar um carro usado ou conseguir um empréstimo usa perguntas de detecção para obter informação antes de decidir. Sinalização e detecção são usadas em todas as transações comerciais.

Informações Assimétricas

Akerlof afirmou que compradores e vendedores têm uma quantidade diferente de informações e a diferença entre essas informações são chamadas de assimetrias. Os automóveis usados são vendidos por muito menos do que os automóveis novos pelo fato de haver informações assimétricas a respeito de sua qualidade: o vendedor de um automóvel usado sabe muito mais a respeito do veículo do que seu potencial comprador. Este poderia contratar um mecânico para verificar o automóvel, mas o vendedor possui experiência com o automóvel e, portanto, ainda assim estaria sabendo mais a respeito. Essa incerteza faz o comprador baixar o preço que deseja pagar por qualquer carro, e então os preços caem no mercado.

A diferença de informações resulta em uma falha de mercado, onde automóveis de boa qualidade são vendidos por menos do que realmente valem, simplesmente porque os compradores não tem a possibilidade de escolher entre automóveis de baixa qualidade e de alta qualidade. Consequentemente, os automóveis de alta qualidade são afastados do mercado.

Seleção Adversa

Os automóveis usados são apenas um exemplo estilizado para ilustrar um importante problema que pode ser encontrado em muitos mercados – o problema de seleção adversa. A seleção adversa surge quando produtos de qualidades distintas são vendidos ao mesmo preço, porque compradores e vendedores não estão suficientemente informados para determinar a qualidade real do produto no momento da compra. Como resultado, muitos produtos de baixa qualidade e poucos de alta qualidade são vendidos no mercado.

Nas empresas que vendem planos de saúde, por exemplo, a seleção adversa é semelhante à que acontece no mercado de automóveis usados. O fato de pessoas com problemas médicos recorrentes estarem mais propensas a adquirir um seguro é maior do que aquelas que não têm estes problemas. Esse fato faz com que o preço do seguro aumente, induzindo as pessoas mais sadias, conscientes de seus riscos baixos de saúde, a não adquiri-lo. No mercado de cartões de crédito, a padronização acabaria por atrair devedores de baixa qualidade (aqueles que não pagam suas dívidas) exigindo uma elevação das taxas de juros cobradas. Tanto em um quanto no outro, a eficiência de mercado pode ser alcançada com base em históricos de doença ou de crédito computadorizados, que as empresas podem compartilhar entre si a fim de eliminar ou reduzir os problemas de informações assimétricas e de seleção adversa, que de outra maneira poderiam impedir a lucratividade desses negócios.

Sinalização de Mercado

Um outro importante processo por meio do qual os vendedores e os compradores procuram resolver o problema das informações assimétricas é a sinalização de mercado. O conceito de sinalização foi desenvolvido por Michael Spence, que mostrou que, em alguns mercados, os vendedores enviam sinais aos compradores, transmitindo informações a respeito da qualidade de um determinado produto. “Para ser forte, um sinal deve ser mais facilmente transmitido por pessoas de alta produtividade do que por indivíduos de baixa produtividade, de tal modo que possa ser encontrado mais frequentemente entre os indivíduos de alta produtividade”, disse.

Assim, retornemos ao exemplo da educação. O nível educacional de um indivíduo pode ser medido de diversas maneiras – pelo número de anos de escolaridade, pelos títulos alcançados, pela reputação da universidade ou faculdade na qual seus títulos foram obtidos, pela média das notas e assim por diante. Certamente, a educação pode melhorar direta ou indiretamente a produtividade de uma pessoa ao lhe proporcionar informações, habilidades e conhecimentos gerais que sejam úteis no trabalho. Mas, mesmo que a educação não melhorasse a produtividade de alguém, ela ainda seria um sinal útil de produtividade, pois os indivíduos mais produtivos têm mais facilidade para alcançar níveis elevados de educação. Não é surpreendente que os indivíduos produtivos tendem a ser mais inteligentes, mais motivados, mais disciplinados e mais energéticos e trabalhadores – características que também são úteis na escola. Portanto, é mais provável que os indivíduos produtivos consigam alcançar um nível mais elevado de educação, para sinalizar sua produtividade para as empresas de modo que obtenham cargos mais bem remunerados. Por isso, as empresas estão corretas em considerar a educação como um sinal de produtividade.

Uma resposta

  1. […] sonhos. Afinal, mesmo não tendo relevância alguma para o cargo almejado, um currículo criativo sinaliza a disposição para trabalhar duro e se […]

Deixe uma resposta