Hayek | O Defensor de uma Economia Livre

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Para Frederich August von Hayek, o custo do empréstimo, que é a taxa de juros fixada pelo Banco Central, era o que provocava os “booms” insustentáveis, seguidos de inevitáveis colapsos. Quando o Banco Central de um país oferece aos bancos instáveis uma fonte confiável de crédito a juros baixos, transmitia o sinal errado aos investidores. A baixa taxa de juros diz que o país economizava mais, que havia muito dinheiro de sobra parado em contas bancárias, pronto para ser refinanciado e investido. A elevação da taxa anula o efeito e consequentemente revela que os bancos não teriam dinheiro suficiente para arcar com todos os investimentos iniciados. Ainda assim, um país como os EUA pode ter uma taxa de juros muito baixa e isso é parcialmente incentivado pelo superavit primário de outros países com que eles mantêm relações comerciais, tais como a China e outros perfeitamente contentes com suas exportações. Nesta situação há muito dinheiro entrando mesmo com as taxas de juros baixas.

Para Hayek a crise de 1929 nos EUA foi culpa das taxas de juros mantidas baixas demais nos anos de grande crescimento, contrariando o argumento de Friedman que sugeriu que a crise foi, em grande parte, causada porque no período de 1929 a 1932, o Banco Central Americano permitiu que a oferta monetária do país se contraísse radicalmente com a elevação das taxas de juros.

Assim, provavelmente a maior força do monetarismo está em prever muitos casos em que o banco central diminui o crescimento da oferta monetária e as economias desaceleram ou entram em recessão. A grande fraqueza é que ela não consegue explicar o que deveríamos fazer para evitar isso. Outra fraqueza é que não é possível medir o crescimento monetário ou determinar qual é o nível monetário ideal para cada economia.

Esta ideia de intervir ou não intervir na economia provocou uma cisão na teoria econômica, e nos debates políticos entre a esquerda e a direita, entre os que querem intervir na economia e os que preferem deixar a economia em paz. Foi uma das batalhas intelectuais mais importantes do século 20, vencida por Keynes sob o formato do New Deal.

Após isso, muitos Bancos Centrais de diversas economias tem preferido conservar baixa as taxas de juros, encorajando empréstimos para estimular a atividade economica e assim escapar dos efeitos de uma nova crise. Para Hayek e a Escola Austríaca, isso é pior do que inútil porque essa intervenção no mercado está preparando o terreno para um desastre ainda maior. Isso cria uma bolha econômica que é reiniciada a cada ciclo de intervenção, os tipos de bolha econômica podem ser de moeda (dólar supervalorizado), bolsa de valores, imóveis, dentre outros.

“Os seres humanos não apenas podem ter dificuldades de entender como devem lidar com a incerteza, mas o mundo é complexo demais para que eles possam entendê-lo completamente.” – Hayek

Além da batalha intelectual com Keynes e outros pensadores da época, uma das preocupações mais importantes para Hayek foi a crescente intervenção dos Estados nas economias de mercado durante as guerras mundiais e o nascimento do comunismo. Para ele um sistema de mercado transmite tanta informação, que o viabiliza e o planejamento central fracassará sob o peso da impossibilidade de entender a complexidade da economia. Preocupado com os efeitos da guerra nas economias ocidentais, Hayek escrevera um livro chamado “O Caminho da Servidão” que foi bem compatível com as noções do individualismo americano, com o sentido de que qualquer um pode ficar milionário se trabalhar duro o bastante e com uma ansiedade, que vinha desde os Pais Fundadores, acerca de se o governo federal tiraria poder demais dos Estados.

Com o fim da guerra, ficou claro que o alcance dos governos cresceram por todo o mundo ocidental, com a proliferação do Estado de Bem-Estar Social. Para Hayek, passar para uma sociedade de bem-estar social corroeria a saúde da democracia.

Friedman, diferente de Hayek, ofereceu aos politicos um meio de defender o livre mercado e, ao mesmo tempo, segurar as rédeas do poder. Hayek enxergou as grandes crises do capitalismo do século XX como resultados de os políticos confundirem a economia com uma ciência. Foi um século de enfrentar todas as grandes questões e a grande questão para os economistas era: Como domar a extraordinária economia moderna?

Keynes e Hayek concordavam que seria incrivelmente difícil, perigoso até, mas Keynes lisonjeava os governos com a ideia de que poderiam desviar o rumo da história humana como quisessem. Foi Hayek que disse que não deveriam nem tentar: podemos até descobrir as leis do universo, mas nunca dominaremos todas as complexidades da natureza humana.

Uma resposta

  1. […] suposições. Porém, o ceticismo da Escola Austríaca foi justificado, entre outras coisas, porque Hayek e seu compatriota Ludwig von Mises foram alguns dos primeiros a prever a queda do regime comunista, […]

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