A economia examina aquilo que leva os seres humanos a fazer o que fazem, e observa como reagem quando enfrentam dificuldades ou sucesso. Investiga as escolhas feitas pelas pessoas quando estão diante de um conjunto limitado de opções e a maneira como negociam essas opções com outras pessoas. É uma ciência que abrange a história, a filosofia, a política, a psicologia e, claro, uma ou outra equação. Se cabe à história nos dizer os erros que cometemos no passado, cabe à economia descobrir como fazer as coisas de maneiras diferentes da próxima vez.
 
Este website não deve ser lido como uma narrativa contínua: cada um dos seus 75 ensaios, aqui apresentados, fazem sentido sozinhos, embora eu tenha colocado links relacionados que podem ser interessantes. Ao contrário da maioria, este não é apenas um guia para o que acontece na economia quando algo dá errado, é um manual definitivo para ensinar tudo que você precisa saber sobre as engrenagens da economia, em tempos bons ou ruins.

 
 

1. O Básico da Economia

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A Economia é o estudo das pessoas e das razões pelas quais, elas se comportam como se comportam. Existem duas verdades que valem para todos, a primeira é que temos desejos ilimitados e a segunda é que temos recursos limitados. Portanto é preciso fazer escolhas para maximizar os nossos desejos.
 
Escassez é uma situação em que não há quantidade suficiente de uma coisa, um produto, um serviço ou recurso para satisfazer todos que o desejam a um preço igual a zero.
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A “mão invisível” é uma forma sintética de expressar a lei da oferta e da demanda, e explica como o “puxa e empurra” desses dois fatores serve para beneficiar toda a sociedade. Em termos simples, o conceito é o seguinte: não há nada de errado se as pessoas agem em interesse pessoal. Num mercado livre, a força combinada de todos que lutam por seus interesses individuais beneficia a sociedade como um todo, enriquecendo todos.
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A lei da oferta e da demanda explica por que os supermercados cobram bem mais por salsichas premium do que pelas normais, e também qual a razão de uma empresa de informática cobrar mais dos consumidores por um notebook só porque mudou sua cor. Assim como algumas regras elementares determinam a matemática e a física, a interação simples entre oferta e demanda pode ser encontrada em todos os lugares.

Basic5 A Armadilha Malthusiana | A Autoaniquilação da Raça Humana

Provavelmente, você se lembra das aulas de biologia e daquelas imagens microscópicas de células se multiplicando. Você começa com um par de células: cada uma se divide para formar outro par; multiplicam-se rapidamente, segundo a segundo, espalhando-se pelos cantos da placa de Petri até preencherem-na completamente e não haver mais espaço. E então, o que acontece?

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Por mais que sejamos ricos e influentes, nunca encontraremos tempo suficiente num dia para fazer tudo aquilo que queremos. A economia lida com esse problema por meio do conceito de custo de oportunidade, que se refere simplesmente a entender se o tempo ou o dinheiro de alguém poderia ser investido em algo melhor.
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Durante anos, foi um dos segredos mais bem guardados da Jamaica. A praia Coral Spring era uma das mais brancas e gloriosas áreas do litoral norte dessa ilha do Caribe. Contudo, numa manhã de 2008, incorporadores que estavam construindo um hotel perto dali chegaram lá e descobriram algo estranho. A areia tinha sumido. Ladrões tinham estado no local na calada da noite e furtaram o equivalente a 250 caminhões de areia.
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Um espanhol observou a magnífica cena à sua frente e não conteve o espanto. O ano era 1436, e ele estava em Veneza para entender como a cidade-estado italiana armava seus navios de guerra. Em casa, esse processo era laborioso e levava dias, mas diante de seus próprios olhos os venezianos armavam navio atrás de navio em menos de uma hora. Como faziam isso?
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Se a economia de mercado tivesse de ser decomposta em dois artigos cruciais de fé, seriam os seguintes: primeiro, a mão invisível significa que até atos motivados por interesse pessoal são, em massa, benéficos para a sociedade; segundo, o crescimento econômico não é um jogo de soma zero, no qual há um perdedor para cada vencedor. Crenças assim contrariam a intuição, especialmente esta última. É da natureza humana presumir que, quando alguém fica mais rico, mais gordo ou mais saudável, faz isso à custa de outrem, que fica mais pobre, mais magro ou mais doente.

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Teoria dos Jogos | A Ciência por Trás da Estratégia Humana

Jogo é uma situação em que os jogadores (participantes) tomam decisões estratégicas, ou seja, decisões que levam em consideração as atitudes e respostas dos outros. Essas decisões resultam em payoffs para os jogadores: resultados que acarretam recompensas ou benefícios. Estes resultados podem ser maximizados após determinar a estratégia ótima para cada jogador. Estratégia é uma regra ou plano de ação para o jogo. Assim, a estratégia ótima para um jogador é aquela que maximiza seu payoff esperado.

2. Os Movimentos Econômicos

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Para Francis Fukuyama (filósofo e economista político nipo-estadunidense), foi o momento que marcou o “Fim da História“. Para milhões da Europa Oriental, e outros, representou uma liberdade e uma prosperidade nunca vivida antes. Para David Hasselhoff, foi o concerto triunfal de uma carreira musical encorajadoramente breve. A queda do Muro de Berlim na noite de 9 de Novembro de 1989, significou muitas coisas para muitas pessoas.
 
Encontra-se, bem no centro da economia keynesiana, a ideia de que a política fiscal (tributação e gastos governamentais) deve ser usada como ferramenta de controle de uma economia. Foi uma teoria esposada por um dos maiores pensadores do século XX, o economista John Maynard Keynes, cujas ideias ajudaram a modelar a economia do mundo atual, sendo muito respeitadas e seguidas até hoje.
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John Maynard Keynes versus Milton Friedman: O embate econômico supremo. Não se trata apenas de dois polemistas fenomenalmente inteligentes e com frequência ácidos; não importa se tiveram formações muito diferentes, o primeiro um inglês educado em Eton e o outro nascido no Brooklyn, filho de imigrantes judeus da Hungria. O fato é que os dois representam doutrinas radicalmente opostas. Representam a batalha ideológica por trás da economia dos últimos 50 anos.
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Há alguns anos, a BBC pediu a seus ouvintes radiofônicos que votassem em seu filósofo preferido. Quando os votos começaram a chegar, apareceram alguns candidatos óbvios – Platão, Sócrates, Aristóteles, Hume e Nietzsche, entre outros -, mas à medida que a contagem era feita, logo ficou evidente que havia um vencedor para o título de filósofo predileto dos britânicos: Karl Marx.

Movements8 Hayek | O Defensor de uma Economia Livre

Para Frederich August von Hayek, o custo do empréstimo, que é a taxa de juros fixada pelo Banco Central, era o que provocava os “booms” insustentáveis, seguidos de inevitáveis colapsos. Quando o Banco Central de um país oferece aos bancos instáveis uma fonte confiável de crédito a juros baixos, transmitia o sinal errado aos investidores. A baixa taxa de juros diz que o país economizava mais, que havia muito dinheiro de sobra parado em contas bancárias, pronto para ser refinanciado e investido. A elevação da taxa anula o efeito e consequentemente revela que os bancos não teriam dinheiro suficiente para arcar com todos os investimentos iniciados. Ainda assim, um país como os EUA pode ter uma taxa de juros muito baixa e isso é parcialmente incentivado pelo superavit primário de outros países com que eles mantêm relações comerciais, tais como a China e outros perfeitamente contentes com suas exportações. Nesta situação há muito dinheiro entrando mesmo com as taxas de juros baixas.

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A frase foi cunhada por Karl Marx, que a usou com desgosto: “O culto ao indivíduo”. Mas, no final do século XX, a ideia de que as escolhas individuais têm importância primordial na criação de políticas econômicas tornou-se dominante. Essa filosofia, semente do thatcherismo e do reaganismo, proveio de uma pequena nação europeia: a Áustria.
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O governo aumenta os impostos, mas, em vez de recolher mais dinheiro em suas contas, acaba reduzindo suas receitas. Por outro lado, a diminuição dos impostos faz com que obtenha mais dinheiro. A lógica econômica virou pelo avesso. Mas não se trata de bruxaria; trata-se do principal fundamento da economia do lado da oferta.
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Em 2007, David Beckham causou furor no mundo ao sair do Real Madrid da Espanha para ir para o Los Angeles Galaxy, assinando um contrato de cinco anos pelo valor de US$ 250 milhões, segundo se noticiou. O que gerou mais interesse foi o valor do negócio. Ele podia ser um bom jogador de futebol; ele pode também ter sido um excelente chamariz de marketing tanto para seu novo clube quanto para a Major League, que se esforçou para concorrer com associações como a NFL, de futebol americano, a NBA, de basquete, e as de outros esportes norte-americanos. Mas, falando sério, o sujeito valia US$ 250 milhões?

3. Como Funciona a Economia

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A economia não se limita ao dinheiro, mas o dinheiro transforma todos em economistas. Peça a uma pessoa para pagar um valor por alguma coisa – em vez de oferecê-la de graça, ou em troca de algum favor – e você terá acionado um interruptor invisível em seu interior.
 
Na verdade, a economia abrange dois assuntos. Em primeiro lugar, é a especialização técnica que estuda como e por que as pessoas tomam determinadas decisões. Em segundo, é um estudo mais amplo, analisando como os governos melhoram o crescimento, contêm a inflação, mantêm suas finanças e impedem o aumento demasiado do desemprego. A diferença entre microeconomia e macroeconomia é fundamental para compreensão da economia.
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Se existe uma cifra econômica que vale a pena ser conhecida, certamente é a do Produto Interno Bruto (PIB). É, literalmente, a maior de todas as estatísticas econômicas, eclipsando todas as demais, desde a inflação e o desemprego até taxas de câmbio e preços de imóveis.
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O papel do presidente de um banco central, disse William McChesney Martin, é “levar a poncheira embora assim que a festa começa a ficar animada”. Esse lendário ex-presidente da Reserva Federal quis dizer que incumbe a quem cuida da política monetária de um país – suas taxas de juros – de garantir que a economia não vai se aquecer demais nem afundar na depressão.

How-the-Economy-Works5 Inflação | Está Tudo Sob Controle!

Dependendo da fonte, a inflação pode limpar seus dentes ou arrancá-los. Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, descreveu-a como “tão violenta quanto um assaltante, tão assustadora quanto um ladrão armado e tão mortal como um assassino”. Karl Otto Pöhl, ex-presidente do Bundesbank alemão, disse: “A inflação é como pasta de dentes: depois que sai [do tubo], é muito difícil colocá-la de volta”.

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Diferentemente do que acontece hoje, a deflação – processo no qual os preços caem a cada ano em vez de aumentar – nem sempre foi vista como uma ameaça. Durante um par de séculos, até o começo do século XX, economias bem-sucedidas passavam com frequência por surtos prolongados desse fenômeno. Na verdade, Milton Friedman afirmava que, em teoria, os governos deveriam ter como meta uma quantidade moderada de deflação.
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“Neste mundo, nada é mais certo do que a morte e os impostos”, disse Benjamin Franklin em 1789. Sem dúvida, ele não foi o primeiro a reclamar dos impostos. Desde que foram criados, os governos têm idealizado maneiras engenhosas de arrecadar dinheiro. Quando José e Maria viajaram a Belém, diz a Bíblia, fizeram-no para registrar sua propriedade para fins fiscais; o censo histórico do Livro de Domesday foi encomendado em 1086 por Guilherme, o Conquistador, principalmente para descobrir quem poderia pagar impostos; e já no ano 10 d.C., cidadãos chineses tinham de pagar imposto sobre a renda.
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Na economia em última análise, tudo se reduz ao desemprego. Por maior que seja a atenção dada por especialistas e políticos ao Produto Interno Bruto, à inflação, às taxas de juros ou à riqueza de seu país, a simples questão de haver ou não emprego para as pessoas ainda é a principal. A meta do emprego pleno costuma ser uma das primeiras promessas eleitorais feitas pelos partidos políticos do mundo todo – embora o cumprimento dessa promessa varie muito.
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A Curva de Phillips mostra uma relação inversa (um trade-off) entre inflação e o desemprego. Considera-se que a quantidade de produtos disponíveis no mercado está diretamente relacionada ao nível de emprego, ou inversamente ao nível de desemprego, e que a inflação corresponde a um aumento no nível geral de preços. Assim, a curva de Phillips nos fornece um guia sobre o que devemos buscar em termos de modelo de oferta agregada. Se quisermos ganhar mais produto (ou, nos termos da curva de Phillips, reduzir o desemprego), poderemos obtê-lo, mas em troca teremos também preços mais elevados (mais inflação).

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Moedas e Taxas de Câmbio | O Barômetro do Prestígio de um País

Há alguns anos, especialistas da Reserva Federal em Washington DC criaram um modelo destinado a predizer as tendências futuras das principais moedas do mundo. Tinham acesso a mais informações sobre mercados de câmbio do que os economistas dos outros países e estavam confiantes em seu sucesso. Durante meses, trabalharam no projeto até que, finalmente, chegou a hora de ligar a máquina…

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Balança de Pagamentos | Déficit e Superávit

Até pouco tempo atrás, poucos aspectos do noticiário econômico eram esperados com tanta ansiedade quanto as estatísticas da balança de pagamentos. Os detalhes sobre a interação financeira e econômica de um país com o resto do mundo eram considerados um dos elementos mais importantes para avaliar sua saúde, juntamente com o Produto Interno Bruto. Apesar de não sermos tão obcecados com os dados da balança de pagamentos quanto antes, eles ainda são o maior indicador das relações econômicas internacionais de um país.

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A Confiança e a Lei | As Bases da Sociedade

Quanto pesa um quilograma? Pode parecer uma pergunta estranha: a maioria conhece a sensação de segurar alguma coisa que pesa um quilo, uma livra ou cem gramas. No entanto, só existe um objeto no mundo que pesa, precisa e oficialmente, um quilograma, e ele está num cofre bem protegido nos arredores de Paris, França. O Protótipo Internacional do Quilograma, um pequeno cilindro de platina e irídio feito em 1889, é o objeto de referência para a calibração de todas as balanças do mundo.

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Energia e Petróleo | Crescimento Econômico Diminuído

Para a economia mundial, todas as mercadorias são importantes. Sem aço ou concreto, a indústria da construção civil iria se paralisar, e as redes elétricas que fornecem nossa energia depende de fios de cobre. Contudo, nos últimos cem anos, nenhum produto tem sido tão importante – e, de vez em quando, tão problemático – quanto o petróleo bruto.

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Formação Universitária | Um Sinal de Produtividade

Um novo campo da economia desenvolveu-se nos anos 1970 quando o economista americano George Akerlof publicou suas descobertas sobre a superação das disparidades no acesso à informação. O economista americano Michael Spence disse que, na prática, se o Sujeito 1 tem mais informação que o Sujeito 2 numa transação, é provável que o Sujeito 1 mande um sinal para que o Sujeito 2 possa tomar uma decisão mais abalizada.

4. Finanças e Mercados

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Os mercados internacionais de títulos, em que empresas e governos conseguem dinheiro, são bem menos conhecidos e compreendidos, do que seu equivalente em participações, o mercado de ações, mas, em muitos aspectos, são bem mais importantes e influentes. Ao determinar se um país consegue dinheiro barato ou não, os mercados de títulos têm ajudado a determinar o curso de guerras, revoluções e conflitos políticos, e têm tido profundas implicações em quase todos os aspectos da vida há séculos. Mesmo em períodos de paz, a capacidade de arrecadar dinheiro de um governo é de importância crucial para seus cidadãos: quanto mais altas as taxas de juros que ele precisa pagar, mais altos os custos de crédito para a economia como um todo.
 
Em 20 de Junho de 1815, um espião de Nathan Rothschild recém-chegado do campo de batalha de Waterloo, informou sobre a derrota dos franceses. Em apenas 24 horas antes da declaração oficial da vitória de Wellington, Rotschild correu às pressas para a Bolsa de Londres e fez crer, vendendo todas as suas ações consol, que a Inglaterra teria perdido a guerra.
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As empresas, diferentemente das pessoas, não são todas iguais. Há empresas das quais sentiríamos falta se deixassem de existir, mas a vida seguiria em frente. Há outras cujo colapso causaria a implosão de grandes segmentos da economia e da sociedade. Os bancos entram nesta segunda categoria.
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Desde que o dinheiro surgiu no mundo, tem havido aqueles que desejam investi-lo. Nos primeiros dias dos investimentos financeiros, desde a Renascença Italiana até o século XVII, o principal destino para esse dinheiro foram os títulos governamentais, mas tudo mudou com o surgimento das primeiras corporações. Elas introduziram um mundo de ações, de especulação, de milhões ganhos e milhões perdidos, e, naturalmente, as primeiras quedas no mercado de valores.

Finance-and-Markets5 Mercado de Futuros e Opções | O Mais Arriscado e Lucrativo de Todos

Os mercados de futuros e opções – também conhecidos como mercado de derivativos – são, provavelmente, os mais arriscados e lucrativos de todos os mercados. E por um bom motivo, pois é justamente com o risco que os mercados de derivativos financeiros e mercadorias negociam. É neles que companhias e operadores especulam com o que esperam que vá acontecer com os preços, de tudo, desde ações, valores, títulos e moedas, até metais, mercadorias, clima e preços de imóveis.

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Não muito depois de assumir o cargo de ministro da Fazenda, Gordon Brown disse em vários discursos que queria libertas a Grã-Bretanha do velho ciclo de “altos e baixos”. Isso foi música para os ouvidos de todos. O país tinha passado por uma série desagradável de recessões causadas por uma economia superaquecida. Seus cidadãos estavam prontos para abrir mão de um pouco de altos, caso isso significasse não ter de aguentar mais uma crise.
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A teoria por trás do sistema de pensões e da seguridade social é tão simples hoje quanto na época em que foi idealizada: os cidadãos de um país devem contribuir para um fundo geral enquanto estão trabalhando e gozando de boa saúde; em troca, esse fundo vai contribuir para seu bem-estar quando estiverem doentes, incapazes de trabalhar ou quiserem se aposentar.
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No modelo simplificado, raciocinamos como se um aumento na demanda de X por cento gerasse um aumento igual no emprego, pelo menos enquanto se está na presença de desempregados. Na realidade, a relação entre demanda e desemprego é mais complexa e é explicada por um modelo muito engenhoso, chamado de Curva de Beveridge, em homenagem a Lord Beveridge, que o desenvolveu. Darei aqui uma explicação sumária, de forma a ajudar o leitor a entender a natureza do desemprego e sua relação com a demanda agregada, de Keynes.
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Num discreto prédio de escritórios em algum lugar nas docas de Londres, um pequeno grupo de pessoas tem a incumbência de produzir aquele que talvez seja o número mais importante do mundo. Esse número, fixado diariamente às onze da manhã, terá consequências imensas para o mundo: vai causar a bancarrota de alguns e fará com que outros ganhem milhões. É algo que faz parte das fundações do capitalismo. Contudo, muito poucas pessoas fora dos mercados financeiros o conhecem. É Libor (acrônico de London Interbank Offered Rate), a taxa de juros interbancária do mercado de Londres.

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Bolhas Econômicas | Uma Exuberância Irracional

Exuberância irracional: duas palavras pouco marcantes, mas, quando ficam juntas, têm força suficiente para fazer com que os mercados do mundo todo despenquem. Em 1996, quando Alan Greenspan, então presidente da Reserva Federal, disse que era isso que podia estar acontecendo com os mercados, causou uma grande queda nos preços, pois os investidores se perguntaram se tinham ficado presos dentro de uma bolha.

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Crises de Crédito | A Fórmula Black-Scholes

Pode não parecer, mas esta é a equação mais perigosa desde E=mc^2. Assim como a equação de Albert Einstein acabou levando a Hiroshima e Nagasaki, esta tem o impacto financeiro de uma bomba nuclear. Contribuiu para altos e baixos do mercado de valores, para uma sucessão de crises financeiras e para depressões econômicas que provaram milhões de pessoas de parcelas significativas de seus meios de subsistência. É a fórmula Black-Scholes, e no coração dessa história acha-se a maior de todas as perguntas da economia: os seres humanos podem aprender com seus erros?

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Tulipas | A Primeira Bolha do Mercado Financeiro na Holanda

A Bolsa de Valores de Amsterdã foi um inegável sucesso. Sua consolidação, entretanto, não foi imediata: poucos anos após seu surgimento ela teve que enfrentar a primeira crise do mercado financeiro holandês.

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Liquidez | O Indicador Determinante para Análise de um Investimento

A palavra liquidez se refere à facilidade de se converter o ativo em dinheiro. Ou seja, se temos um ativo com alta liquidez, isso significa que será vendido com facilidade caso precisemos do dinheiro de imediato. Em outras palavras, o termo liquidez resume a rapidez e os custos envolvidos para que uma determinada aplicação se transforme em dinheiro vivo. Quanto mais líquida for uma aplicação, mais fácil e mais rápida será essa transformação.

5. Os Problemas Econômicos

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Muitos sabem que a teoria da evolução de Charles Darwin teve uma importância científica revolucionária, pondo-a ao lado de Isaac Newton e sua descoberta das leias da gravidade e do movimento, e de Copérnico e a percepção de que a Terra gira ao redor do Sol. No entanto, poucos sabem que talvez Darwin nunca tivesse chegado à sua teoria se não fosse pela economia.
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Para a maioria das pessoas, a casa própria é seu maior ativo e seu bem mais valioso. Para comprar um imóvel, precisamos tomar emprestado mais do que tomaríamos noutras circunstâncias, um empréstimo que dura toda uma geração. E se tivermos o azar de comprá-lo no momento errado, é bem provável que ele vá nos arruinar.
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Se existe alguma coisa que os tempos recentes nos ensinaram, é que a cada ano os governos tomam mais e mais dinheiro emprestado. Mal passa um mês sem que uma instituição internacional, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) advirta os Estados Unidos ou algum outro país sobre o estado deplorável de suas finanças.
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A origem do termo “Barril de Porco” ou Pork Barrel remonta aos tempos da escravatura antes da Guerra Civil nos Estados Unidos, em que era dado um barril de “salt pork” aos escravos – fazendo com que competissem entre si por um quinhão desse porco conservado em sal. Atualmente este conceito de competição existe na política, no sentido de os políticos tentam garantir para si uma maior quantidade de verbas para satisfazerem seu eleitorado que, por sua vez, aumenta a probabilidade de serem eleitos (ou reeleitos). Apesar de ser um termo que teve origem nos Estados Unidos, é facilmente observável em qualquer parte do mundo.

The-Problems5 Desigualdade Social

Se você caminhar pela orla marítima do Rio de Janeiro, depois de Ipanema e do Leblon, vai encontrar algumas das mais belas residências do Brasil. Esses palácios luxuosos, que valem vários milhões de dólares, abrigam muitos componentes exuberantes – cinemas totalmente equipados, quadras de tênis, piscinas, jacuzzis e dormitórios de empregados. Entretanto, a poucos metros dali, há uma das maiores e mais violentas favelas do mundo. Como é possível haver tanta pobreza ao lado de tanta fartura?

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A Curva de Lorenz e o Índice de Gini são duas ferramentas matemáticas muito utilizadas pelos economistas para expressar a desigualdade da distribuição de renda entre diferentes grupos da população de um país. A ideia é representar graficamente a distribuição relativa de uma variável (neste caso, a renda) em um determinado país (ou território específico). A curva é construída marcando-se os pontos das coordenadas em porcentagem acumulada da população e em porcentagem acumulada da renda.
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A Suécia é um país localizado ao norte da Europa e possui Índice Gini de 26,93 e crescimento anual do PIB de 1,7%. Sua carga tributária é considerada uma das mais altas do mundo e excedeu o nível crítico no fim século passado quando os impostos progressivos tornaram-se esmagadores.
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Do mesmo modo como capitalismo já foi uma expressão pejorativa em vez de elogio ou mera descrição, globalização tem sido mais usada para criticar do que para elogiar a economia do século XXI. Evoca imagens de oficinas de trabalho escravo na Malásia, centrais de atendimento em Bangalore, minas no Brasil e filiais do Starbucks e do McDonalds no mundo todo.
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Os anos que se passaram desde a virada do milênio testemunharam uma das maiores mudanças de poder na economia global. As placas tectônicas que sustentam a economia mundial começaram a se mover com mais velocidade do que a maioria já viu. Com o surgimento de uma nova espécie de contendores, liderados pela China e pela Índia, a impressão foi que os Estados Unidos começaram a perder a posição indiscutível de superpotência mundial. No passado, momentos assim provocavam instabilidade geopolítica, mas os economistas esperam que, desta vez, uma arma secreta evite o conflito: o multilateralismo.

The-Problems10Protecionismo | O Irmão Feio da Globalização

O protecionismo – que normalmente significa a imposição de barreiras e impostos a produtos importados do exterior e medidas para impedir a absorção de empresas nacionais por companhias estrangeiras – é tão antigo quanto o próprio comércio. Um dos métodos mais antigos encontrados pelos governantes para arrecadar dinheiro foi a imposição de tarifas alfandegárias – algo que persiste desde a antiguidade.

The-Problems11 Tecnologia | O Combustível das Revoluções Industriais

Por mais que queiramos romantizá-la, a vida na Inglaterra do século XVIII não era lá muito arcadista. A maioria das famílias vivia presa a uma existência de subsistência, mal ganhando o suficiente para sobreviver. Espantoso, mas 75% das crianças nascidas em Londres morriam antes dos cinco anos. Contudo, entre 1750 e o início do século XIX, tudo mudou radicalmente. A expectativa de vida aumentou, assim como a população e sua riqueza. Poucos períodos econômicos foram mais marcantes que o da Revolução Industrial.

6. Economia Alternativa

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A queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo no antigo bloco soviético foram, sem dúvida, dois dos mais importantes catalisadores do crescimento econômico em todo o mundo. Ficou claro que a economia da antiga União Soviética tinha reprimido o crescimento, empobrecido milhões e deixado muitos russos passando fome e desamparados. Com a adoção do livre mercado pelos antigos Estados Comunistas, suas economias decolaram rapidamente, e, apesar de alguns terem ficado para trás, milhões ficaram bem mais ricos.
 
Economia e meio ambiente estão ligados de forma indissociável. O desenvolvimento econômico é, por exemplo, uma das principais causas das alterações climáticas, mas também pode conter a chave para sua solução. Do mesmo modo, o estudo da economia está na vanguarda das investigações sobre aquecimento global, e são as ferramentas econômicas – como impostos e regulações – que deverão inventivas as pessoas a poluir menos no futuro.
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A Economia tem um calcanhar de Aquiles. Até pouco tempo atrás, muitos de seus praticantes tentavam ignorar ou questionar essa fraqueza – mas, em última análise, ela pode ser considerada responsável por muitos dos erros gritantes cometidos pelos economistas ao longo de centenas de anos. É errôneo presumir que os seres humanos são racionais.
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O que acontece quando a economia sai da sala de reuniões e vai para o dormitório ou quando é usada para examinar criminosos e não empresas? O que acontece quando suas ferramentas são empregadas para analisar tudo, desde o mercado paralelo até a vida familiar? As ferramentas da teoria econômica são tão poderosas e universais – desde oferta e demanda até teoria dos jogos – que podem ser usadas para lançar luzes sobre questões aparentemente desconexas.

Alternative-Economy5 Felicidade | A Economia Não se Resume Apenas ao Dinheiro

Na década de 1970, no pequeno reino do Butão, no Himalaia, a economia do país passou por um minucioso exame. Segundo a maioria dos indicadores, o Produto Interno Bruto, Renda Nacional, Nível de Emprego e outros, seu crescimento era muito lento. O rei do Butão fez algo incomum: decretou que, dali em diante, o progresso do país não seria medido por esses parâmetros econômicos tradicionais, mas por sua Felicidade Interna Bruta.

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Uma força cultural e econômica poderosa está emergido na economia. Ela é conhecida por “Swap Trading” e representa o desejo que as pessoas têm por todas as coisas úteis “indesejáveis” que uma pessoa pode ter em casa.
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Você já se perguntou porque os relacionamentos românticos estão cada vez mais difíceis de encontrar ou porque as pessoas estão se casando cada vez mais tarde? As estatísticas mostram que as taxas de casamento estão historicamente baixas, tanto nos Estados Unidos quanto na maioria dos países ocidentais. No entanto, a indústria de namoros online têm registrado recordes históricos de crescimento, com uma receita anual acima de 1 bilhão de dólares.

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O modelo tradicional de produção linear baseado nos princípios de extração, transformação e descarte depende de grandes quantidades de materiais de baixo custo e de fácil acesso, além de muita energia. Esse modelo está atingindo seus limites físicos e a economia circular é uma alternativa atraente e viável que as empresas já começam a explorar.
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Os economistas têm sido ridicularizados por não conseguirem prever importantes mudanças no cenário financeiro e por não terem percebido sinais que apontavam para uma súbita catástrofe no mercado de valores. Agora, nos primeiros anos do terceiro milênio, foram levantadas questões mais fundamentais sobre as bases da disciplina – e é difícil demais ignorá-las.
 
Em complemento às ideias apresentadas, este é um anexo para ajuda-lo a decidir sobre o que devemos fazer, em lugar do que podemos fazer. São pequenos contos ou indicações de livros que tem a intenção de esclarecer e entender questões com as quais todos deveríamos nos preocupar.
 
Desafio aos Deuses. A Fascinante História de Risco e o O Mito dos Mercados Racionais por serem dois importantes livros sobre economia comportamental; O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham, por abordar o importante Mercado de Futuros e Opções; O Economista Clandestino e Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta por serem dois importantes livros sobre a Economia da Vida Diária de Tim Harford e Steven Levitt, respectivamente; Pescando Tolos, de Akerlof e Shiller, que mostra que, embora a busca de lucros possa levar a produtos que enriquecem nossas vidas, ela também pode levar à manipulação e à fraude e grande parte da inovação recente tem levado a produtos que facilitam enganar o público. Finalmente temos Thomas Piketty com A Economia da Desigualdade e O Capital no Século XXI ambos importantes livros sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade.

7. Filosofia

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A coleção reúne as principais obras da literatura econômica clássica e foi lançada pela Editora Abril em 1983 contendo 48 volumes originais (a quarta edição foi reduzida para 23 volumes). Este artigo contém 21 livros digitais da publicação original de 2006.
 
Imagine que você passou a vida inteira aprisionado numa caverna. Seus pés e suas mãos estão acorrentados e a sua cabeça está presa, de modo que você só consegue olhar para uma parede à sua frente. Atrás de você há uma fogueira acesa, e entre você e o fogo há uma passarela usada por seus captores para transportar estátuas de pessoas e vários outros objetos de um lado para outro. As sombras que esses objetos lançam na parede são as únicas coisas que você e seus companheiros de prisão já viram na vida, as únicas coisas sobre as quais pensam e conversam.
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Um professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira. Esta classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

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Certa vez, um velho lenhador, conhecido por sempre vencer os torneios que participava, foi desafiado por um outro lenhador jovem e forte para uma disputa.A competição chamou a atenção de todos os moradores da localidade. Muitos acreditavam que finalmente o velho perderia a condição de campeão dos lenhadores, em função da grande vantagem física do jovem desafiante.

Philosophy5 Reflexão | As Três Peneiras da Sabedoria

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque:Pessoas sábias falam sobre idéias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas.

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George Ivanovich Gurdjieff (1877 – 1949) foi um pensador e guia espiritual armênio que, no início do século passado, já falava em auto-conhecimento e na importância de se saber viver. Dentre seus trabalhos, originou-se o livro “Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido (Em Busca do Milagroso)” transmitido ao ocidente por seu discípulo Piotr Demianovitch Ouspensky a quem o Mestre permitiu que fossem tomadas notas de suas conferências em Moscou, São Petersburgo e outras cidades da Rússia.
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Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro-quente. Ele não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia o melhor cachorro-quente da região. Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

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“Adams Óbvio” foi publicado pela primeira vez, na forma de conto, no “Saturday Evening Post”, em abril de 1916. Apesar de ser ahistória de um publicitário, foi logo considerado como idéia embrionária para se obter sucesso incomum no mundo dos negócios e das profissões. A Editora Harper & Brothers lançou o conto na forma de livro em setembro do mesmo ano em que foi publicado no “Post”. No Brasil ela foi usada no lançamento do cigarro Free, da empresa Souza Cruz ‐ B.A.T. British American Tobacco, encartado nos anos 80 como um livreto nas principais revistas.
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Tudo é impermanente. Nem por isso se deve fugir das alegrias e prazeres, enquanto são, que sejam. Tudo é temporário. Nem por isso precisa se antecipar o fim das coisas e pessoas, conserve-os o quanto puder. Ninguém é perfeito, mesmo assim alguns merecem ser tolerados. Não se tem tudo que quer, mas não valorizar o que tem, é um enorme desperdício.