Igualdade | Uma Curta História sobre Privilégios

Igualdade | Uma Curta História sobre Privilégios

postado em: Philosophy | 0

Tempo de Leitura: 3 Minutos

O ilustrador australiano Toby Morris criou uma história em quadrinhos que nos lembra que nem todos temos as mesmas oportunidades na vida. É uma narrativa sobre duas pessoas nascidas em famílias diferentes e sobre o papel exercido por seus familiares em seus respectivos destinos.

p1 p2 p3 p4

Estes quadrinhos mostram que o conceito de igualdade de oportunidades é uma farsa e que, embora algumas pessoas comecem do lado direito (e através do trabalho duro e um pouco de sorte, acabam no lado esquerdo) e outras do lado esquerdo (e terminam no direito), este não é realmente o “ponto”.

O ponto é sobre a igualdade de resultados versus a igualdade de oportunidades. A igualdade de resultados pressupõe que todos os indivíduos deveriam ter o mesmo prestígio e renda, independente do esforço individual. Assim, se uma pessoa resolve dedicar a vida aos estudos (ficando na escola por mais de vinte anos, para se tornar um professor universitário), sendo obrigado a continuar estudando para alcançar o seu objetivo de vida, e outra pessoa resolve não estudar nada e viver sem trabalhar, as duas deveriam não só ter uma renda idêntica (paga pelo governo), como receber, da sociedade, o mesmo reconhecimento social de status e prestígio.

Por outro lado, a igualdade de oportunidade pressupõe que, além da igualdade formal perante a lei, a igualdade não chegaria ao extremo de uma igualdade total de resultados. Assim, espera-se que as pessoas tenham oportunidades iguais durante a vida – o que fazem dessas oportunidades, através de suas escolhas e decisões, seria problema delas. O que é preciso, afirmam-se os estudiosos, é que “as condições iniciais” da “corrida pela vida” sejam idênticas, então que ganhe o melhor!

Mas como é que se consegue igualizar as condições iniciais de quem nasce no Morumbi, em São Paulo, e quem nasce no sertão do Piauí? Ou de quem nasce em uma família de milionários na Suíça e quem nasce de uma mãe solteira e aidética numa tribo do deserto do Sahara? De quem tem um QI de 200 e quem tem um QI de 70? Ou de quem nasce com o talento para o futebol e quem não consegue chutar uma bola? Ou de alguém que consegue representar como o Anthony Hopkins e quem não consegue declamar uma poesia numa festinha de aniversário? Ou de quem consegue estudar competentemente os grandes mistérios da vida, da mente, ou do universo, como Darwin, Freud e Einstein, e, digamos, alguém que não consegue sequer aprender a ler, escrever e contar na escola, depois de anos de tentativa?

A resposta é: Não consegue.

Estes quadrinhos parecem estar destinados a tornar as pessoas mais conscientes das oportunidades que elas têm que outros não têm. É um lembrete para todos aqueles que (como nós) alcançaram sucesso em alguma etapa de suas vidas e que sabem que este sucesso não foi por mérito pessoal, mas por mérito de outros, sejam eles pais, contribuintes ou professores.

Que o conhecimento que o sucesso não é apenas seu, desperte em você a empatia pelas pessoas que não tiveram oportunidades semelhantes e, talvez, ajude-o a formar opinião sobre determinadas políticas sociais.

Traduzido por: Incrível.club
Original em: http://thewireless.co.nz/articles/the-pencilsword-on-a-plate

Deixe uma resposta