Liquidez | O Indicador Determinante para Análise de um Investimento

Liquidez | O Indicador Determinante para Análise de um Investimento

Tempo de Leitura: 6 Minutos

É provável que você já tenha passado pela seguinte situação: em uma conversa com amigos economistas ou que trabalham no mercado financeiro, o pessoal começa a discutir sobre a situação de algumas empresas. Aí, é um tal de liquidez pra cá, liquidez pra lá… Ou, ainda, eles começam a trocar ideias sobre “papéis”, dizendo que alguns não têm liquidez alguma. E, no meio disso tudo, você ali, boiando, sem saber exatamente o que significa isso e não querendo interromper o papo para fazer uma pergunta que provavelmente eles julgariam inaceitável.

O que é exatamente liquidez?

A palavra liquidez se refere à facilidade de se converter o ativo em dinheiro. Ou seja, se temos um ativo com alta liquidez, isso significa que será vendido com facilidade caso precisemos do dinheiro de imediato. Em outras palavras, o termo liquidez resume a rapidez e os custos envolvidos para que uma determinada aplicação se transforme em dinheiro vivo. Quanto mais líquida for uma aplicação, mais fácil e mais rápida será essa transformação.

A liquidez é um aspecto determinante para a análise de um investimento e sua importância aumenta de maneira inversamente proporcional ao prazo em que se pretende deixar o dinheiro aplicado. Dos vários tipos de investimentos, cada um possui um grau de liquidez determinado:

Poupança: liquidez alta, pois o resgate do dinheiro é feito quase que instantaneamente. Basta solicitar o resgate e o dinheiro está na sua conta.

Títulos públicos: liquidez média, pois as vendas só ocorrem uma vez por semana e, mesmo assim, não é garantido que você conseguirá vender. Existe uma data final para o resgate.

Fundos de investimentos: liquidez de alta para média, pois, dependendo do fundo, é necessário entre um a quatro dias úteis para o dinheiro estar disponível em sua conta.

Imóveis: liquidez baixa, pois muitas vezes demora dias ou meses para vender um imóvel pelo preço que ele realmente vale.

Ações: depende do ativo, mas a liquidez geralmente é alta. Quando o papel é muito negociado (ex: Petrobras, Vale…), a venda é praticamente instantânea e, na maioria das vezes, pelo preço que você sugere. Já em papéis pouquíssimo negociados, é difícil vender pelo preço sugerido com facilidade. Muitas vezes, faz-se necessário baixar a pedida para conseguir vendê-lo.

Tomemos, para ilustrar essa importância, o investimento direto em imóveis: para transformar um imóvel em dinheiro vivo, é preciso não somente encontrar alguém interessado em comprá-los ou alugá-los, como também pagar taxas de corretagens e impostos.

Ou seja, a transformação em dinheiro sonante não é fácil, nem rápida; a liquidez é baixa. Assim, se você só tiver a opção de liquidar um imóvel para conseguir dinheiro, provavelmente vai comercializá-lo por um preço muito abaixo do justo.

Por outro lado, quando se trata de alta liquidez, as aplicações mais procuradas pelos investidores são aquelas de perfil conservador. Como é o caso da poupança, dos fundos DI ou de renda fixa, assim como Certificados de Depósitos Bancários, os conhecidos CDBs.

Nestes casos, tudo o que você precisa fazer para transformar o dinheiro das aplicações em espécie é pedir o resgate. A maior parte desses fundos oferece liquidez diária, de modo que você nem corre o risco de perder a rentabilidade do mês.

O risco de liquidez deriva da possibilidade de não conseguir negociar um ativo sem afetar o preço do mesmo.

Já os fundos de ações têm natureza um pouco distinta, porque é preciso esperar um pouco mais – cerca de três dias – para se ter o dinheiro na conta.

Assim, se fôssemos elaborar um ranking da liquidez, teríamos, em primeiro lugar, o dinheiro vivo, seguido pela caderneta de poupança, pelos fundos DI e de renda fixa, depois pelo ouro e pelos fundos de ações. Por último, os fundos imobiliários e o negócio próprio, já que a venda deste é ainda mais complicada do que a de um imóvel.

Liquidez demais também pode ser prejudicial. Afinal, as aplicações mais líquidas geram retornos relativamente mais baixos – e por isso mesmo podem ser destinadas a aplicações de curto prazo. Por outro lado, quanto maior o prazo que você tiver para investir, menor poderá ser a porcentagem de suas economias destinadas a aplicações líquidas, e vice versa.

E no caso de uma empresa?

A liquidez é fundamental. Porque ela compõe, ao lado da atividade, do endividamento e da lucratividade, os índices financeiros de uma empresa; ou seja, os dados que indicam como está a sua situação financeira e a capacidade de honrar seus compromissos no prazo. Esses índices são calculados a partir dos itens do balanço patrimonial e das demonstrações de resultado do exercício, as DREs.

Para se obter o índice de liquidez de uma empresa, deve-se dividir a soma dos direitos a curto prazo da empresa (contas de caixa, bancos, estoques e clientes a receber) pela soma das dívidas a curto prazo (empréstimos, financiamentos, impostos e fornecedores a pagar). O índice de liquidez a seco subtrai o ativo circulante dos estoques da liquidez corrente, por serem menos líquidos. A liquidez imediata é o mais conservador pois considera apenas o caixa, saldos bancários e aplicações financeiras em seu cálculo e a Liquidez Geral considera todas as previsões de médio e longo prazo, incluindo no cálculo os direitos e obrigações a frente de 12 meses, como vendas parceladas, aplicações de longo prazo e empréstimos a pagar.

Liquidez corrente = ativo circulante / passivo circulante

A partir do resultado obtido podemos fazer a seguinte análise:

  • Maior que 1: demonstra que há capital disponível para uma possível liquidação das obrigações.
  • Igual a 1: os direitos e obrigações a curto prazo são equivalentes.
  • Menor que 1: a empresa não teria capital disponível suficiente para quitar as obrigações a curto prazo, caso fosse preciso.
Liquidez Imediata = Disponível / Passivo Circulante

O resultado deste índice será sempre igual ou menor ao de Liquidez Corrente, e a empresa deve ser cautelosa ao contar com o estoque como disponibilidade para a liquidação de obrigações, pois depende da venda se concretizar para possuir realmente o capital em mãos.

Liquidez seca = (ativo circulante – estoque) / passivo circulante

Como este indicador exclui de seu calculo todos os estoques, as contas e valores a receber, acaba se tornando de grande importância para análise da situação de curtíssimo prazo da empresa.

Liquidez Geral = (Ativo Circulante + Realizável em Longo Prazo) / (Passivo Circulante + Exigível em Longo Prazo)

Todos estes valores também podem ser obtidos no Balanço Patrimonial da empresa.

Uma resposta

  1. […] refletiu as incertezas sobre a retomada das operações da empresa e aumentou as pressões de liquidez, à medida que multas e passivos contingentes se acumularam, além do risco de quebra dos […]

Deixe uma resposta