Mercado de Futuros e Opções | O Mais Arriscado e Lucrativo de Todos

Mercado de Futuros e Opções | O Mais Arriscado e Lucrativo de Todos

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“Neste prédio, é matar ou morrer”, diz o personagem de Dan Ackroyd a Eddie Murphy no filme Trocando as bolas, de 1983. Estão indo à bolsa de mercadorias e futuros de Nova York, prestes a dar o golpe do século. Vendendo e depois comprando suco de laranja concentrado e congelado no mercado futuro, a dupla fatura milhões e leva à bancarrota seus antigos e vingativos empregadores.

Para o Barings, o mais antigo banco comercial de Londres, foi “morrer”. Ele sofreu um colapso em 1995 quando um de seus corretores, Nick Leeson, perdeu sozinho milhões de libras no mercado de futuros de Singapura.

Redistribuição do Risco

Os mercados de futuros e opções – também conhecidos como mercado de derivativos – são, provavelmente, os mais arriscados e lucrativos de todos os mercados. E por um bom motivo, pois é justamente com o risco que os mercados de derivativos financeiros e mercadorias negociam. É neles que companhias e operadores especulam com o que esperam que vá acontecer com os preços, de tudo, desde ações, valores, títulos e moedas, até metais, mercadorias, clima e preços de imóveis.

Companhias e indivíduos especulam não só por apostar, mas com um propósito econômico essencial: redistribuir o risco. Precisam planejar com antecedência em um mundo altamente imprevisível. Se você fabrica sorvetes de frutas, não pode saber no começo do ano como será a colheita, e por isso não sabe com quantas laranjas poderá contar. Se a colheita for fraca, o preço das laranjas vai subir bastante, mas se a colheita for abundante, os preços vão cair por causa do aumento na oferta de laranjas. Você pode decidir que não quer correr riscos e fechar um contrato para comprar suco de laranja em determinada data do verão por um preço fixo. Você abre mão da oportunidade de economizar caso a colheita seja boa (ou de perder dinheiro caso seja ruim) em troca da segurança de pagar um valor determinado. Na outra ponta da transação, o agricultor também tem o risco mitigado, garantindo alguma receita para o ano.

Os mercados de futuros e opções são, hoje, alguns dos mais importantes e agitados do mundo, pois as companhias precisam tomar decisões similares com frequência, seja um produtor de milho fixando um preço ou um grande exportador como a Ford ou a Microsoft tomando posição em certas moedas para garantir que não vão perder caso o valor do dólar baixe subitamente.

Especulação e Investimento

Para que o mercado funcione, é preciso que haja pessoas dispostas a correr riscos. É aqui que os especuladores entram na equação. Enquanto cerca de metade dos participantes dos mercados de futuros buscam proteção, os demais estão tentando ganhar dinheiro apostando nos movimentos de preços. Esses especuladores puros, que têm suas próprias suspeitas sore a direção dos preços, formam uma parcela essencial da economia. Ora são indivíduos, ora fundos de cobertura, ora fundos de pensão procurando lucrar um pouco mais.

De qualquer manteira, são diferentes dos investidores, que adotam uma postura de longo prazo. Como disse Benjamin Graham, autor do livro essencial para todos os investidores, The Intelligent Investor:

A diferença mais realista entre investidor e especulador está na postura diante dos movimentos do mercado de valores. O interesse principal do especulador consiste em antecipar-se às flutuações do mercado, lucrando com elas. O interesse principal do investidor é adquirir e manter valores adequados a preços adequados.

É possível enriquecer seguindo qualquer caminho. O mais famoso investidor do mundo é Warren Buffett, que habitualmente adota posições de longo prazo nas empresas para controlá-las durante anos por meio de sua companhia, a Berkshire Hathaway. Em 2008, a revista Forbes considerou-o o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 62 bilhões, embora depois seu patrimônio tenha se reduzido significativamente por causa dos efeitos da crise financeira. O mais famoso bilionário dos fundos de cobertura é George Soros, que ganhou US$ 9 bilhões especulando com o preço das ações, commodities, mercadorias, moedas e outros.

Uma Breve História do Mercado de Futuros e Opções

De certa forma, os negócios com futuros existem há séculos, pois geralmente há uma lacuna entre a encomenda de um produto e sua entrega efetiva. Nos séculos XIII e XIV, era comum os agricultores venderem lã com um ou dois anos de antecedência. No Japão do século XVIII, os comerciantes compravam e vendiam arroz para entrega futura, e os primeiros contratos de derivativos foram vendidos aos samurais, que geralmente eram pagos em arroz; após algumas colheitas fracas, quiseram garantir determinada receita nos anos vindouros.

Mas foi só no século XIX que o mercado realmente decolou – e seu lar espiritual foi e é Chicago, onde o mercado de futuros é chamado de Bolsa Mercantil. Em 1880, por exemplo, a companhia de produtos alimentícios Heinz assinou contratos com agricultores para comprar pepinos nos anos seguintes a preços previamente acordados. Geralmente, porém, um contrato de futuros não é tratado de forma direta entre comprador e vendedor, mas na bolsa de futuros, que atua como intermediário. Quando se espera alguma variação nos preços de uma mercadoria, de bacon a metais, o preço dos futuros associados a essas mercadorias também varia.

Jogo de Soma Zero

Essa flutuação constante é que faz o mercado de derivativos ser um lugar tão arriscado para se investir. Basta olhar para o mercado futura de uma das maiores mercadorias, o petróleo, para entender o porquê. Os preços do petróleo sobem e descem dependendo de diversos fatores, que vão desde o econômico (com base, por exemplo, na velocidade com que as economias devem se expandir, e com isso sua provável demanda por combustível) ao geopolítico (com base na possibilidade de ataques terroristas a plataformas de petróleo ou nas relações entre o Oriente Médio e o resto do mundo).

Em 1999, a revista The Economist predisse que, tendo caído a US$ 10,75 por barril, os preços do petróleo iriam baixar ainda mais, atingindo US$ 5. No final daquele ano chegou a US$ 25,01. Entre 2000 e início de 2005, manteve-se entre US$ 20 e US$ 40 por barril. Então, uma combinação de fatores, incluindo a invasão do Iraque, um crescimento econômico extraordinário em boa parte do mundo e o receio sobre a quantidade de petróleo que ainda restaria no solo, fez com que os preços disparassem, chegando primeiro a US$ 60, depois US$ 80 e, em julho de 2008, atingindo US$ 132,55 por barril. Assim que chegou a esse patamar, porém, baixou para US$ 41,53 em dezembro, em virtude da recessão que afetou a economia global e seguiu uma alta por todo ano de 2009 até 2012.

“Tenha medo quando os outros forem cobiçosos e só seja cobiçoso quando os outros estiverem com medo”Warren Buffett

Apostando inteligentemente na direção que os preços iriam seguir, muitos investidores ganharam centenas de milhões de dólares, mas outros tantos perderam muito. Diferentemente do mercado de valores, no qual as ações das companhias podem valorizar-se com o crescimento e a prosperidade das empresas, os contratos de futuros têm soma zero: para cada ganhador há alguém que perde em uma magnitude similar. É por isso que os mercados de derivativos são comparados a cassinos. Mas, embora haja certa dose de jogo envolvida, não são um passatempo ocioso. Esses mercados são uma engrenagem essencial da moderna máquina econômica.

 

Mercadorias, Opções e Futuros

Mercadorias são mateiras sólidos que podem ser comprados e vendidos no atacado, desde metais preciosos e petróleo até cacau e café em grão. Se quiser comprar alguma mercadoria para entrega imediata, você o faz ao preço spot – o preço atual – como faria com uma ação ou título.

Opção, por outro lado, é um acordo que dá a seu portador o direito, em vez da obrigação, de comprar ou vender um investimento a um preço específico em um dia determinado.

Um Futuro é um contrato para comprar certa mercadoria ou investimento a um preço específico em algum momento futuro (data da entrega).

 

Uma resposta

  1. […] À primeira vista, era apenas um meio de deduzir qual deveria ser o preço de uma opção dos mercados de derivativos. Entretanto, as implicações eram assombrosas. Era uma fórmula matemática que parecia eliminar o […]

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