Micro e Macro | As Raízes da Diferença

Micro e Macro | As Raízes da Diferença

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Na verdade, a economia abrange dois assuntos. Em primeiro lugar, é a especialização técnica que estuda como e por que as pessoas tomam determinadas decisões. Em segundo, é um estudo mais amplo, analisando como os governos melhoram o crescimento, contêm a inflação, mantêm suas finanças e impedem o aumento demasiado do desemprego. A diferença entre microeconomia e macroeconomia é fundamental para compreensão da economia.

“Micro ou Macro?”, costuma ser a primeira pergunta que se fazem dois economistas que acabam de ser apresentados; a diferença entre os dois enfoques chega ao coração da economia. Geralmente, são considerados pelos economistas mais estritos como campos de estudo completamente separados, a ponto de que muitos passam a vida inteira especializando-se em um ou em outro, sem sentir falta de nada.

Qual a Diferença?

Derivada de mikros, palavra em grego antigo que significa “pequeno”, microeconomia é a expressão usada para o estudo da maneira como lares e empresas tomam suas decisões e interagem com os mercados. Um especialista em microeconomia pode se concentrar na forma como um tipo específico de lavoura com arado aumentou ou diminuiu nos últimos anos.

A expressão macroeconomia vem do grego makros – “grande” -, e é o estudo de como as economias em geral funcionam. O macroeconomista esta mais preocupado com questões sobre o motivo para a taxa de crescimento de um país ser forte, mas sua inflação baixa (como aconteceu nos EUA na maior parte da década de 1990), ou com as causas do aumento da desigualdade (como ocorreu tanto no Reino Unido quanto nos EUA em décadas recentes).

Raízes da Diferença

Por que essa divisão? É uma boa pergunta – na verdade, até meados do século XX não havia divisão. Um economista era apenas um economista. Aqueles que se concentravam em uma escala maior chamavam-se de economistas monetários, e aqueles que estudavam o pequeno eram os adeptos da teoria dos preços. Com efeito, os economistas propendiam bem mais para a pequena escala. Então apareceu John Maynard Keynes, que transformou a percepção da disciplina. Em síntese, ele criou a macroeconomia, com sua ênfase no papel dos Estados, tanto internamente (em termos de uso do dinheiro público e das taxas de juros para tentar manter a economia nos eixos) como internacionalmente (no monitoramento do comércio com outras nações).

A microeconomia, por seu lado, cresceu e se tornou uma área de estudo volumosa. Concentra-se particularmente na maneira pela qual oferta e demanda interagem em diversas circunstâncias. Examina a reação das pessoas a impostos e normas, a mudanças em preços ou gostos, mas detém-se antes de tirar conclusões sobre o efeito disse sobre a economia como um todo. Isso é tarefa do macroeconomista. Evidentemente, as duas visões estão relacionadas, mas o que as torna diferentes é que a microeconomia se concentra em um mercado de forma isolada, e a macroeconomia observa todos os mercados coletivamente.

Isso significa necessariamente que, em geral, os macroeconomistas precisam fazer suposições bem amplas sobre o comportamento de uma economia, inclusive a de que, a longo prazo, ela tenderá ao equilíbrio entre oferta e demanda – uma suposição que ainda é muito discutida.

Enfoques Diferentes

Publicações de qualidade que apresentam artigos sobre economia geralmente concentram-se na macroeconomia: mudanças na taxa de juros ou na inflação; o Produto Interno Bruto de um país; notícias sobre alguma recessão ou boom econômico importante; a mensagem do Ministro da Fazenda sobre a economia e o novo orçamento, e assim por diante. Geralmente, vê-se que a história é macro porque tem uma abordagem mais geral.

Todavia, histórias que se concentram em finanças pessoais – sobre o efeito que os impostos e outras medidas governamentais podem ter sobre o cotidiano das pessoas – baseiam-se firmemente na microeconomia. É uma perspectiva mais concreta.

Por exemplo, quando Gordon Brown era ministro da Fazenda do Reino Unido, era frequentemente criticado por tentar a microgestão da economia. Isso significa que evitava grandes mudanças no imposto sobre a renda e nas taxas de juros, preferindo confiar em medidas de menor escala, como crédito especificamente voltado para certas famílias ou subsídios para investimentos das empresas.

Embora o número de escolas macroeconômicas seja relativamente pequeno, os especialistas em microeconomia têm a sorte de contar com numerosos campos de estudo para se concentrar. Naquela que se conhece como economia aplicada, é possível encontrar um grande leque de especialistas: os que analisam o emprego e as mudanças no mercado de trabalho ao longo do tempo; especialistas em finanças públicas cuja tarefa é examinar as contas do governo; especialistas em impostos sobre mercadorias, rendas ou tributação de empresas; especialistas em questões agrícolas e taxas alfandegárias; especialistas em salários; e assim por diante.

Além disso, a microeconomia vale-se muito mais de estatísticas do que a macro, e geralmente seus praticantes criam complexos modelos de computador para demonstrar como a oferta e a demanda vão reagir à determinada mudança: por exemplo, vai aumentar o custo de fabricação dos automóveis caso os preços do petróleo (e com este, o custo da energia) sofra uma alta repentina. O macroeconomista está muito mais preocupado com o efeito sobre a taxa geral de crescimento de uma economia causado pelo aumento no preço do petróleo, em diagnosticar o que causou esse aumento e em determinar como ele pode voltar a ficar sob controle.

Não obstante, apesar de essas duas matérias serem tratadas separadamente, de modo geral, têm como base as mesmas regras fundamentais: a interação entre oferta e demanda, a importância dos preços e do funcionamento adequado dos mercados e a necessidade de determinar como as pessoas agem quando se defrontam com a escassez e com uma ampla variedade de incentivos.

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