Oferta e Demanda | Determinação de Preço, Lucro e Riqueza

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A lei da oferta e da demanda explica por que os supermercados cobram bem mais por salsichas premium do que pelas normais, e também qual a razão de uma empresa de informática cobrar mais dos consumidores por um notebook só porque mudou sua cor. Assim como algumas regras elementares determinam a matemática e a física, a interação simples entre oferta e demanda pode ser encontrada em todos os lugares.

Ela está nas ruas movimentadas de Otavalo, no Equador, e nas largas avenidas próximas a Wall Street, em Nova York. Apesar das diferenças superficiais – as ruas empoeiradas da América do Sul cheias de agricultores e Manhattan repleta de banqueiros em ternos risca de giz -, aos olhos do economista fundamentalista os dois lugares são praticamente idênticos. Olhe um pouco mais de perto e entenderá a razão: as duas cidades são mercados importantes. Otavalo tem um dos maiores e mais famosos mercados a céu aberto da América Latina; Wall Street, por sua vez, é o lar da Bolsa de Valores de Nova York. São lugares onde as pessoas vão comprar ou vender coisas.

O mercado reúne compradores e vendedores, seja num conjunto físico de bancas sobre as quais os produtos são expostos, seja em um mercado virtual como o da Wall Street, no qual a maioria das negociações é feita por meio de redes de computadores. E o nexo entre demanda e oferta é o preço. Essas três confirmações, aparentemente inócuas, podem nos dizer muito sobre a sociedade. São a base da economia de mercado.

A demanda representa a quantidade de bens ou serviços que as pessoas estão dispostas a comprar de um vendedor a um preço específico. Quanto maior o preço, menos pessoas vão querer comprar, chegando a um ponto em que simplesmente se recusarão a comprar. De modo análogo, a oferta indica a quantidade de bens ou de serviços fornecidos por um vendedor a determinado preço. Quanto menor o preço, menos bens o vendedor desejará vender, pois, para produzi-los, despende dinheiro e tempo.

O preço é justo?

Os preços são o sinal que nos diz se a oferta ou a demanda de determinado produto está aumentando ou diminuindo. Vejamos o caso dos preços dos imóveis, por exemplo. No começo do século XXI, nos EUA, os preços foram aumentando cada vez mais depressa à medida que mais e mais famílias se davam ao luxo de adquirir sua casa própria, incentivadas por ofertas de financiamento hipotecário a juros baixos. Essa demanda levou os construtores a erguer mais casas, especialmente em Miami e em áreas da Califórnia. Quando as casas ficaram prontas, o surto repentino de oferta fez com que o preço dos imóveis caísse – e bem depressa.

O segredo de polichinelo da economia e que, na verdade, os preços raramente estão em equilíbrio. O preço das rosas aumenta e diminui ao longo do ano: quando o verão se transforma em inverno e os supermercados e as floriculturas precisam buscá-las mais longe, a oferta de rosas diminui e seus preços aumentam. Do mesmo modo, após 12 de junho, os preços caem por causa da demanda por flores no Dia dos Namorados.

Os economistas chamam isso de “sazonalidade” ou “ruído”. Alguns, entretanto, procuram enxergar além disso para descobrir o preço de equilíbrio. Analisemos novamente o preço dos imóveis: nenhum economista descobriu quanto deve valer uma casa média. A história nos diz que deveriam valer algumas vezes o salário anual da pessoa – em média, de três a quatro vezes -, mas não há como saber ao certo.

Podemos aprender algumas lições elementares sobre as pessoas com base no preço de certos produtos. Há alguns anos, a Apple, fabricante de computadores, apresentou seu novo laptop Macbook em duas cores: branco e preto – esta, uma versão especial, mais cara. Apesar de ser idêntica à versão branca – velocidade, espaço disponível em disco e assim por diante -, a versão preta foi vendida por US$ 200,00 a mais. Mesmo assim, venderam muito bem. Isso não teria acontecido se a demanda não fosse suficiente, e assim ficou claro que as pessoas se dispuseram a pagar um pouco mais só para se diferenciarem de seus vizinhos e seus laptops banais, brancos.

Elasticidade Fantástica

Ocasionalmente, oferta e demanda demoram um pouco para reagir às mudanças nos preços. Se uma companhia telefônica aumenta o custo das ligações, os consumidores tendem a reduzir rapidamente o número de ligações que fazem, ou então mudam de provedora de serviços telefônicos. Em termos econômicos, sua demanda é elástica – altera-se com as mudanças nos preços.

“É tão razoável perguntar se é a lâmina superior ou inferior da tesoura que corta o papel quanto determinar se o valor é regido pela demanda ou pela oferta.”Alfred Marshall

Em outros casos, os consumidores reagem lentamente a mudanças de preços – são inelásticos a preços. Quando, por exemplo, os preços do petróleo aumentaram bruscamente no início deste milênio, os consumidores viram-se diante de preços elevados de combustíveis, mas não podiam encontrar uma alternativa nem comprar um carro novo e caro, elétrico ou híbrido, para reduzir suas despesas. Do mesmo modo, empresas que consomem muito combustível não puderam fazer muito mais do que absorver os custos adicionais. Lentamente, alguns consumidores começaram a usar transportes públicos. Algumas mudanças são conhecidas como substituições, que afastam de itens dispendiosos e buscam alternativas. Muitas famílias, porém, não tiveram escolha senão absorver o custo mais elevado de combustível.

Naturalmente, aquilo que se aplica à demanda aplica-se igualmente à oferta, que também pode ser elástica ou rígida. Muitas empresas tornaram-se extremamente adaptáveis – ou com preços elásticos: quando cai a demanda por seus produtos, despedem funcionários ou reduzem seus investimentos como resposta. Outras, no entanto, são mais rígidas e têm mais dificuldade nesses assuntos. Um produtor de bananas do Caribe, por exemplo, pode ter muita dificuldade para reduzir os custos de seu negócio caso seja suplantado por produtores latino-americanos mais corpulentos ou descubra que os consumidores não estão lá muito ávidos por suas bananas.

Seja a dona da banca no Equador, seja o banqueiro de Wall Street ou qualquer outra pessoa, a principal força por trás das decisões econômicas é sempre o jogo entre preços e os compradores e vendedores que os determinam; em outras palavras, esta é a Lei da Oferta e da Demanda.

2 Responses

  1. […] menos bens e serviços são ofertados há recessão e maiores tendem a ser os preços – lei de oferta e da demanda. Assim, quando uma economia  está em crescimento, os preços caem, quando uma economia está em […]

  2. […] Assim, o sexo não é um assunto inteiramente privado e consentido entre duas pessoas. Pense na Lei da Oferta e da Demanda, quando a oferta é alta, os preços simplesmente caem e as pessoas não vão pagar mais por algo […]

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