PIB | Produto Interno Bruto

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Se existe uma cifra econômica que vale a pena ser conhecida, certamente é a do Produto Interno Bruto (PIB). É, literalmente, a maior de todas as estatísticas econômicas, eclipsando todas as demais, desde a inflação e o desemprego até taxas de câmbio e preços de imóveis.

O PIB de um país é, pura e simplesmente, a medida de sua renda total (produto = produção ou atividade econômica; interno = numa economia específica; bruto = total). É a medida mais reconhecida da força e do desempenho econômicos de um país.

Muita gente sabe que a China tem experimentado uma ascensão notável rumo à proeminência econômica nas últimas décadas. As estatísticas do PIB mostram que ela superou rapidamente a França, a Grã-Bretanha, a Alemanha e até o Japão em anos recentes. Porém, sua produção econômica é apenas uma fração da produção dos Estados Unidos.

O que o PIB Inclui?

O Produto Interno Bruto mede duas coisas: a renda total do país e seu gasto total. Em uma economia, renda e gastos são iguais. Se você paga um dólar por um jornal, esse dinheiro – seu gasto – torna-se instantaneamente o ganho de outrem. O PIB mede tanto bens (como alimentos) e serviços (como cortes de cabelo), e inclui itens invisíveis (como manutenção doméstica – o valor que as pessoas pagam para morar em suas casas, sejam próprias, sejam alugadas).

O que o PIB não Inclui?

A principal exclusão é aquilo que é produzido pela economia dita informal. Inclui o comércio de mercadorias ilegais (como drogas e tudo que circula no mercado negro), que, segundo se calcula, equivale a cerca de quase um décimo da economia da maioria dos países ricos. O PIB também não inclui os componentes de um produto, bem como os produtos em si. Por exemplo, o motor de um carro não seria contado separadamente do veículo pronto do qual faz parte. Se o motor for vendido separadamente, já é outra questão.

E Empresas Estrangeiras?

O PIB mede o valor de tudo que é produzido em um determinado país, seja quem for seu proprietário. Logo, se uma empresa norte-americana possui uma fábrica no México, a produção dessa fábrica contribui para o PIB do México. Entretanto, existe outra estatística relacionada que mede a produção econômica dos cidadãos de um país, estejam baseados em casa ou no exterior. O Produto Nacional Bruto (PNB) dos EUA, por exemplo, inclui a renda de cidadãos norte-americanos dentro e fora do país, mas exclui aquilo que cidadãos e empresas de outros países ganham nos EUA. Geralmente, os valores de PIB e PNB são muito similares.

Como se Mede o PIB?

Quando os governos publicam seus valores do PIB, geralmente o fazem em intervalos trimestrais, e o número mais interessante não é o valor total, mas a taxa de crescimento. Vale lembrar que a taxa de crescimento do PIB que é citada nos jornais ou pelos políticos refere-se ao crescimento real do PIB – em outras palavras, descontados os efeitos da inflação. Quando se mantém as mudanças nos preços de mercado devidas à inflação, o valor resultante é chamado de PIB nominal.

O que o PIB Abrange?

Como uma tangerina, o PIB é formado por vários segmentos, cada um representando uma contribuição importante para o crescimento econômico de um país. Aquilo em que um país gasta seu dinheiro pode ser descrito da seguinte maneira:

consumo + investimento + gasto público + valor líquido de exportações

Consumo significa todo o dinheiro que os lares gastam em bens e serviços, e nas últimas décadas, nos países ricos, tem sido de longe o maior segmento entre eles. Em 2005, foi responsável por 70% de todos os gastos nos EUA, com um percentual similar no Reino Unido.

Investimento é o valor aplicado em empresas a prazo relativamente longo, por exemplo, para construir novas fábricas ou instalações. Inclui também o valor gasto pelas famílias na aquisição de residências recém-construídas. Equivale a 16,9% do PIB dos EUA e 16,7% do PIB do Reino Unido.

Gasto Público inclui tudo aquilo que os órgãos governamentais nacionais e locais gastam em bens e serviços. Corresponde a 18,9% do PIB dos EUA, mas é bem maior na maioria dos países europeus, que têm serviços de saúde financiados pelo governo. Na Grã-Bretanha, estabilizou-se em torno de 40% na maior parte das décadas de 1990 e 2000. Mas lá, e em quase todos os países ricos, a proporção cresceu bruscamente após a crise econômico-financeira de 2008, quando os governos buscaram soluções keynesianas para suas recessões, injetando dinheiro público na economia.

Você deve ter notado que, se somar esses componentes, vai descobrir que os americanos estão gastando mais que 100% de seu PIB – para ser exato, 5,8% a mais. Como isso é possível? Em síntese, isso se deve ao fato de os EUA terem compensado recentemente o déficit de bens produzidos no país importando-os do exterior. Em 2005, as exportações foram responsáveis por 10,4% do PIB, enquanto as importações chegaram a 16,2% e a diferença entre ambas – exportações líquidas – corresponde a esse déficit de 5,8%. Esse déficit comercial, como é chamado, é um aviso de que os EUA têm vivido além de suas possibilidades.

Medir o Desempenho da Economia Usando o PIB

Tendo em mente que o PIB é a medida mais ampla do desempenho de uma economia, ele é absolutamente central para as análises econômicas. Geralmente, os políticos são julgados por ele, e os economistas se esforçam ao máximo para prever seu valor. Quando a economia se contrai, ele se vê acompanhado por um aumento no desemprego e pela queda nos salários. Se a redução dura dois trimestres consecutivos, então tecnicamente a economia está em recessão. Apesar de ser uma definição muito aceita para recessão, nos EUA a palavra “R” não é usada oficialmente enquanto a situação econômica não for analisada pelo Escritório Nacional de Pesquisa Econômica. Geralmente, as piores recessões são chamadas de depressões. Não existe uma definição amplamente aceita de depressão, muito embora os economistas estipulem que uma economia precisa sofrer uma queda de 10% entre seu ponto mais alto e seu ponto mais baixo. Costumam concordar que uma depressão representa bem mais do que um ano de queda na produção. Na Grande Depressão da década de 1930, o PIB dos Estados Unidos caiu aproximadamente um terço.

Entretanto, essa versátil estatística econômica tem algumas limitações importantes. E se, por exemplo, um país abrisse subitamente suas portas para um número muito grande de imigrantes ou exigisse que seus cidadãos trabalhassem mais? Isso poderia aumentar drasticamente o PIB, embora do ponto de vista individual os trabalhadores não tenham sido mais produtivos. Logo, ao avaliar a saúde de uma economia, os estatísticos preferem estudar sua produtividade – calculada dividindo-se o PIB pelo número de horas trabalhadas pelos cidadãos do país. Outra maneira de interpretar o PIB consiste em dividi-lo pela população total, produzindo o PIB per capita, uma cifra que costuma ser usada pelos economistas para ilustrar o nível de vida de um país.

“A longo prazo, nada é tão importante para o bem-estar econômico do que a taxa de crescimento da produtividade”William J. Baumol

Apesar de se considerar com frequência que o PIB reflete o bem-estar de uma nação, os economistas modernos estão conscientes de suas limitações nesse sentido. Por exemplo, o PIB não leva em conta a desigualdade potencial entre diferentes membros da sociedade, nem pretende mediar a qualidade ambiental ou social, ou a felicidade dos indivíduos. Esses valores precisam ser buscados em outros indicadores. Contudo, nenhuma estatística pode competir com o PIB para mostrar instantaneamente se a economia de um país está prosperando ou estagnando.

2 Responses

  1. […] mundo eram considerados um dos elementos mais importantes para avaliar sua saúde, juntamente com o Produto Interno Bruto. Apesar de não sermos tão obcecados com os dados da balança de pagamentos quanto antes, eles […]

  2. […] que a economia. É por isso que geralmente déficit e dívida se expressam como um percentual do Produto Interno Bruto do país. A dívida pública dos EUA no final de 2014, por exemplo, era de 102,98% do PIB e a do […]

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